“Jesus cristo desceu à mansão dos mortos; ao terceiro dia ressuscitou dos mortos”
Diocese de Barretos - 16 de abril de 2026
“Jesus cristo desceu à mansão dos mortos; ao terceiro dia ressuscitou dos mortos”
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Por Pe. Ronaldo José Miguel, Reitor Seminário de Barretos.
O artigo quinto do Credo cristão nos conduz ao coração do mistério pascal: Cristo morreu, desceu à mansão dos mortos e ressuscitou ao terceiro dia. Essa profissão de fé não é apenas uma sequência de acontecimentos, mas a revelação da vitória definitiva de Deus sobre o pecado e a morte. À luz do Catecismo da Igreja Católica, contemplamos duas dimensões inseparáveis: a descida de Cristo à mansão dos mortos e sua gloriosa ressurreição. O Catecismo ensina que, após sua morte, Jesus desceu à “mansão dos mortos” (cf. CIC 632). Essa expressão não se refere ao inferno dos condenados, mas ao estado de todos os mortos que aguardavam a redenção. Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, experimenta plenamente a morte humana. Sua alma, unida à sua pessoa divina, vai ao encontro dos justos que o precederam. Cristo desce para libertar os justos que esperavam o Salvador (cf. CIC 633). Ele anuncia a Boa Nova aos mortos (cf. CIC 634). A salvação alcança todos os tempos: passado, presente e futuro. Essa descida manifesta que não há lugar onde o amor de Deus não possa chegar. Este mistério consola profundamente: Deus entrou até mesmo na realidade da morte. Nenhuma situação humana está fora do alcance da redenção. O sofrimento e a morte não têm a última palavra. O Catecismo afirma com clareza: a Ressurreição é a verdade culminante da nossa fé em Cristo (cf. CIC 638). Ao terceiro dia, Jesus ressuscita não apenas voltando à vida terrena, mas entrando em uma vida nova e gloriosa. Seu corpo ressuscitado é o mesmo que foi crucificado, mas transformado. A Ressurreição aconteceu realmente na história — testemunhada pelos discípulos —, mas ultrapassa a história, pois introduz a humanidade na eternidade de Deus (cf. CIC 647). Cristo vence definitivamente aquilo que separava o homem de Deus (cf. CIC 654). A Ressurreição de Cristo é a garantia da nossa própria ressurreição futura (cf. CIC 655). A descida à mansão dos mortos e a Ressurreição não são eventos isolados. Fazem parte de um único movimento de amor: Cristo desce até a profundidade da morte para elevar o homem à vida divina. O Catecismo mostra que o mistério pascal é inseparável: A cruz não pode ser compreendida sem a Ressurreição. A Ressurreição confirma o valor redentor da cruz. A morte não é mais fim definitivo, mas passagem. Em Cristo, ela se torna caminho para a vida eterna. Já a Ressurreição não é apenas futura. Pelo Batismo, o cristão já participa da vida nova (cf. CIC 654). A Ressurreição não é apenas um evento do passado, mas uma realidade viva que continua a transformar o mundo e a história. Cristo venceu a morte e, nele, a vida tem a última palavra.



