Jesus Cristo padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado”
Diocese de Barretos - 9 de abril de 2026
Jesus Cristo padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado”
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Por Pe. Ronaldo José Miguel, Reitor Seminário de Barretos.
Ao afirmar que Jesus “padeceu sob Pôncio Pilatos”, a Igreja situa a paixão de Cristo dentro da história concreta. Pilatos foi o governador romano da Judeia no tempo de Jesus, o que permite ancorar o evento da crucificação em um contexto político e jurídico preciso. Essa referência é importante porque a fé cristã não se baseia em mitos ou símbolos abstratos, mas em acontecimentos reais. A paixão de Jesus Cristo ocorreu em um tempo e lugar determinados, envolvendo autoridades religiosas e civis, e culminando em uma execução pública por crucificação — um método reservado aos condenados mais desprezados pelo Império Romano. O Catecismo ensina que o sofrimento de Cristo não foi um acidente ou um fracasso, mas parte do desígnio salvífico de Deus. A paixão é compreendida como um ato de obediência e amor, pelo qual Jesus assume sobre si o pecado da humanidade. Nesse sentido, a cruz não é apenas instrumento de morte, mas sinal de redenção. Ao aceitar livremente o sofrimento, Cristo transforma a dor em caminho de salvação. A tradição cristã interpreta esse mistério à luz das Escrituras, especialmente das figuras do Servo Sofredor descritas no Livro de Isaías. A afirmação de que Cristo “foi crucificado” revela um dos aspectos mais paradoxais da fé cristã. A cruz, símbolo de humilhação e derrota, torna-se sinal de vitória sobre o pecado e a morte. Ao afirmar que Jesus “morreu”, o Credo sublinha a plena realidade da sua humanidade. Cristo não apenas aparentou sofrer ou morrer; Ele experimentou verdadeiramente a morte, como qualquer ser humano. Ao morrer, Cristo entra na experiência mais radical da humanidade, vencendo-a por dentro. A expressão “foi sepultado” confirma a realidade da morte de Cristo e prepara o anúncio da ressurreição. O sepultamento de Jesus indica que sua morte foi completa e irreversível do ponto de vista humano. Ao mesmo tempo, a sepultura marca o silêncio do Sábado Santo — um momento de espera e mistério, no qual a obra da redenção se realiza de modo oculto. O Catecismo apresenta esse artigo do Credo não apenas como uma narrativa dos acontecimentos da paixão, mas como um convite à contemplação do amor de Deus. A cruz revela um Deus que não permanece distante do sofrimento humano, mas o assume plenamente. Assim, a paixão de Cristo torna-se modelo para a vida cristã. O fiel é chamado a unir seus sofrimentos aos de Cristo, confiando que, assim como a cruz conduz à ressurreição, também a dor pode ser transformada em vida nova.



