“Jesus subiu aos céus e está sentado à direita de deus, pai todo-poderoso”
Diocese de Barretos - 23 de abril de 2026
“Jesus subiu aos céus e está sentado à direita de deus, pai todo-poderoso”
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Por Pe. Ronaldo José Miguel, Reitor Seminário de Barretos.
O artigo sexto do Credo nos introduz no mistério da Ascensão do Senhor e de sua exaltação à direita do Pai. Após cumprir sua missão redentora na terra, Jesus Cristo não abandona a humanidade, mas entra definitivamente na glória de Deus, inaugurando uma nova forma de presença. Este mistério não significa ausência, mas plenitude: Cristo não se afasta, Ele se torna universalmente presente e eficaz na vida da Igreja. O Catecismo ensina que, quarenta dias após a Ressurreição, Jesus foi elevado ao céu (cf. CIC 659). A Ascensão não é um deslocamento físico no espaço, mas a entrada da humanidade de Cristo na glória divina. Ele, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, leva consigo a nossa natureza humana à comunhão plena com o Pai. Teologicamente, a Ascensão é a conclusão visível da missão terrena de Cristo e marca a passagem do modo histórico de presença para o modo sacramental e espiritual. Além do mais, revela o destino final da humanidade: a vida em Deus. O Catecismo afirma que estar “à direita do Pai” significa participar plenamente do poder, da honra e da glória de Deus (cf. CIC 663). Não se trata de um lugar físico, mas de uma posição de autoridade divina. Este é o cumprimento da promessa messiânica: o Cristo é Rei, mas seu reinado é marcado pela cruz e pelo amor. O Catecismo destaca três aspectos importantes: primeiro, que Jesus, exaltado na glória, continua a agir em favor da humanidade (cf. CIC 662). Ele é o único mediador entre Deus e os homens, e intercede continuamente por nós. Segundo, que antes de subir aos céus, Jesus confia aos discípulos a missão de evangelizar (cf. CIC 849–856, em conexão com o mistério da Ascensão). A Ascensão inaugura o tempo da Igreja: Cristo é a cabeça glorificada; a Igreja é seu corpo em missão no mundo. E terceiro, ensina que a Ascensão nos abre o caminho para o céu (cf. CIC 661). Cristo não apenas entra na glória, mas prepara um lugar para nós. Em um mundo marcado pelo imediatismo e pela busca de resultados visíveis, a Ascensão nos convida a viver com os olhos voltados para o eterno, sem fugir das responsabilidades terrenas, o cristão vive orientado para Deus; a confiar no senhorio de Cristo, mesmo diante das crises da história, Cristo reina; e a assumir a missão: A Igreja não espera passivamente, pois ela evangeliza, serve e testemunha. “Jesus subiu aos céus e está sentado à direita de Deus, Pai todo-poderoso” é a proclamação da vitória e da exaltação de Cristo. Ele reina, intercede e conduz a história à sua plenitude. A Ascensão não é despedida, mas promessa: Cristo foi preparar-nos um lugar — e, enquanto isso, permanece conosco de modo novo, sustentando a Igreja até o dia em que tudo será plenamente recapitulado nele.




