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Jornada 5×2: evolução social ou risco econômico? 

O Diário - 2 de julho de 2026

Jornada 5×2: evolução social ou risco econômico? 

Paulo Roberto dos Santos, contador e perito judicial contábil

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O Brasil discute a extinção da escala 6x1 e a adoção do modelo 5x2. A proposta, que reduz o teto constitucional de 44 para 40 horas semanais, divide opiniões entre o clamor pelo bem-estar social e o impacto real nos custos de quem gera empregos no país.

Sob a perspectiva laboral, o principal argumento ancora-se na saúde pública. O modelo atual atua como vetor de adoecimento crônico, elevando índices de burnout e depressão. A transição para a escala 5x2 representa, sem dúvida, um salto na qualidade de vida. Contudo, se o custo da contratação formal se tornar proibitivo sob as novas regras, o mercado pode reagir com o aumento da informalidade.

Para o setor produtivo, o impacto varia conforme a atividade. Ramos tecnológicos e escritórios absorvem a mudança com maior facilidade, pois funcionários descansados elevam a produtividade. O cenário se inverte, porém, no varejo, comércio e microempresas. Para manter as portas abertas no fim de semana, esses segmentos precisarão de mais pessoal ou pagar horas extras, gerando inflação ou desemprego.

O desafio macroeconômico é que a produtividade brasileira é baixa. A jornada 5x2 é uma evolução social desejável e inevitável, mas o remédio exige modulação. Uma transição escalonada e realista, via negociações coletivas, é o único caminho para que o avanço social caminhe de mãos dadas com a sustentabilidade econômica do país.