Labirintite Democrática
O Diário - 6 de janeiro de 2026
Danilo Nunes é advogado e professor. Pós-doutor em Direito e membro da Academia Barretense de Cultura – ABC
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Brasileiros e brasileiras chegam ao ano eleitoral padecendo de labirintite democrática. Os sintomas são diagnosticados a olhos nus já que a zonzeira da informação que mais desinforma prejudica e causa grava vertigem, mistura até posicionamento político com par de sandálias. Sem saber o que digita, as pessoas têm confundido opinião com parecer e sacramentam sem direito de ampla defesa e sem contraditório. O negócio diário é acordar, criar confusão digital e dormir contabilizando quantos novos embates foram vencidos.
Com tantos desencontros identitários, o país carece de equilíbrio e dificuldade de se manter em pé com postura firme e caminhada serena. Devido à intensidade da vertigem, ora intencional, ora conveniente, os descaminhos institucionais causam náuseas e regurgitam no pior: desrespeito às divergências de pensamento, conflito de interesses e confrontos, dissensos e violação de direitos fundamentais.
Se por um lado, a desinstitucionalidade crônica possibilita os constantes ataques digitais irados não só uns aos outros, mas também a quem de direito exerce direitos. Por outro lado, a sabotagem a temas nacionais promovem a vítima à vilania.
O zumbido, conhecido como Tinnitus, tem sido barulho ou chiado constante, promovendo grave ruído de comunicação entre quem deveria promover debates. É o tal do “sem saber para onde caminha, qualquer chegada serve” e não estar a se falar de andanças, mas ausência de projeto de país. As alterações auditivas são equiparadas às incoerências, vejamos: tentativa de violação de dispositivo eletrônico é tão inquestionável para uns como fraudes às pessoas idosas por meio de benefícios previdenciários para outros. São sucessivas crises que geram outras crises para apagar as mesmas crises.
Pobre nação que sofre (e sofrerá ainda mais em ano eleitoral) com o sintoma do nistagmo, cujos movimentos repentinos e involuntários dos olhos só enxergam o que querem ver e piscam com a esperteza em beneficio próprio. Em momentos de crise, seja na labirintite ou na democracia, o melhor remédio é perguntar a especialistas: o que posso fazer para dar esperança coletiva?
Danilo Nunes é advogado e professor.
Pós-doutor em Direito e membro da Academia Barretense de Cultura – ABC




