Magnifica Humanitas – Parte 13 – Os Bens da Terra e da Tecnologia São para Todos
Diocese de Barretos - 19 de agosto de 2026
Magnifica Humanitas – Parte 13 – Os Bens da Terra e da Tecnologia São para Todos
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Por Pe. Matheus Francisco, Vigário Paroquial São João Batista, Olímpia-SP
Depois de apresentar o princípio do bem comum na coluna de ontem, o Papa Leão XIV nos conduz, nos parágrafos 65 a 67 da Magnifica Humanitas, a outro princípio fundamental da Doutrina Social da Igreja: a destinação universal dos bens. Em palavras simples, significa reconhecer que Deus criou os bens da terra para sustentar a vida de toda a humanidade, e não apenas para beneficiar alguns poucos (65). A terra, a água, o ar e os recursos naturais são dons recebidos de Deus. Por isso, cada pessoa possui um direito originário ao uso desses bens. O Papa recorda que não corresponde ao projeto de Deus organizar a sociedade de modo que os frutos da criação fiquem concentrados nas mãos de poucos (65). Essa visão também nos ajuda a compreender algo muito importante: a destinação universal dos bens não se refere somente às coisas materiais. Hoje, conhecimento, cultura, informação e tecnologia também possuem um enorme impacto na vida das pessoas. Por isso, aquilo que produz desenvolvimento não pode ser pensado apenas como privilégio de quem consegue adquiri-lo (65). Mas isso significa que a Igreja é contra a propriedade privada? Não. O Papa reconhece claramente o direito à propriedade privada, mas recorda que ele possui uma função social e está subordinado ao bem de todos (66). A propriedade não existe apenas para satisfazer interesses individuais. Ela deve ser administrada de maneira responsável, para que os bens possam contribuir para o bem comum. É uma mudança importante de perspectiva: possuir também significa cuidar e administrar em favor dos outros. A tradição cristã nunca considerou a propriedade privada como um direito absoluto e intocável (66). Por isso, a solidariedade implica também reconhecer que os pobres não podem ser esquecidos e que aquilo que a sociedade produz deve alcançar também aqueles que vivem em situação de necessidade. No parágrafo 67, o Papa traz essa reflexão diretamente para o nosso tempo. Hoje existem novas formas de riqueza: patentes, algoritmos, plataformas digitais, infraestruturas tecnológicas e dados. São bens que podem gerar enorme poder econômico e social (67). Aqui encontramos uma questão decisiva para a era da inteligência artificial: quem controla o conhecimento e a tecnologia controla uma parte importante do futuro. Quando esses recursos permanecem concentrados nas mãos de poucos, aumenta o risco de criar uma nova divisão entre aqueles que participam da revolução digital e aqueles que ficam excluídos dela (67). Por isso, Leão XIV nos convida a pensar em uma tecnologia que seja acessível, responsável e orientada para o bem comum. O progresso não pode produzir novos excluídos. Também precisa respeitar a Casa Comum e pensar nas gerações futuras (67). Deus não criou um mundo para poucos. E o conhecimento não pode se transformar em um muro que separa incluídos e excluídos. O verdadeiro progresso acontece quando aquilo que temos e sabemos também se transforma em serviço. E o estudo continua na coluna da próxima terça-feira. Shalom minha gente.