MAIS DE MIL PALHAÇOS NO SALÃO
O Diário - 17 de fevereiro de 2026
Danilo Nunes é advogado e professor. Pós-doutor em Direito e membro da Academia Barretense de Cultura – ABC
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Michel Temer – uma das últimas raposas vivas da política brasileira – falou em recente evento mercadológico que “tem absoluto desprezo pelos rótulos de direita, esquerda e centro, classificando-os como balela eleitoreira e que o que importam são resultados”. Já afirmou também que “que o povo brasileiro não se interessa por ideologia, mas sim pelos resultados que o governo produz” e classifica como “equívoco dizer que a direita é contra o pobre e a esquerda, a favor”. E ele acerta.
Em plena terça de Carnaval, a fala do político faz muito sentido – com todo respeito a quem pensa diferente – e deixam nus aqueles que, sob o manto ideológico, escondem em verdade, um sem numero de más intenções políticas, usando direita x esquerda para pautar o debate e manter a militância ativa e se (re)eleger.
Ao fim e ao cabo, ideologia importa somente a quem já está no bonde do Poder, tipo música do grupo É o Tchan, sabe, “quem tá dentro não quer sair, mas quem tá fora quer entrar” a qualquer custo.
Debater direita x esquerda em pleno século XXI é como jogar confete nos olhos dos foliões do outro bloquinho e enrolar todo mundo na serpentina da ilusão, como disse Temer “este debate foi encerrado com o final da URSS e a queda do Muro de Berlim”. Cuba, China, é um regime não democrático como outro qualquer autoritário. Regimes autoritários, seja de direita ou de esquerda, só servem para atrasar a humanidade rumo ao ideal humano de evolução. O pano de fundo, é a narrativa que sufoca as políticas públicas baseadas em evidências, estas sim, mais corrompidas que colombinas em fim de baile.
Oh, quanto riso... Oh, quanta alegria, os palhaços no Salão Verde da Câmara ainda não se deram conta de que, enquanto os radicais ladram tanto de lá como acolá, vão passando outros tantos que entra governo e saí governo, continuam dando as cartas. Certa estava a Hannah (Arendt) quando refletiu que “o revolucionário mais radical se torna um conservador no dia seguinte à revolução”, em Homens em Tempos Sombrios, de 1968.



