Maria mãe de Deus
Diocese de Barretos - 1 de janeiro de 2026
Por Dom Milton Kenan Júnior, Bispo de Barretos
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Hoje celebramos o Dia Mundial da Paz e da Fraternidade Universal com a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. O Evangelho nos apresenta a primeira visita ao Menino Jesus. São os pobres pastores que vão às pressas ver o menino na manjedoura. A cena do Natal é a manifestação do Deus que se fez pequeno e indefeso, para ser tocado por nossas mãos e acolhido em nossos braços. Os pastores se maravilharam com o que viram, entenderam o sinal e voltaram glorificando a Deus, enquanto a Mãe silenciou e guardou tudo em seu coração. A grandeza de Deus se revela na pequenez e na simplicidade da imagem da manjedoura. Enquanto Mateus fala dos Magos que vão ao encontro do Menino, Lucas no seu Evangelho fala dos pastores que pelo fato de cuidarem dos seus rebanhos, eram considerados pelos judeus como impuros. Eram mal vistos pelo povo nas cidades, tanto que não podiam testemunha num tribunal. No meio da noite, eles estão em vigília. E foram eles os escolhidos para serem as primeiras testemunhas do nascimento de Jesus. Eles respondem ao anúncio dos anjos com prontidão: vão às pressas! Lucas diz também que os pastores encontraram “Maria e José e o recém-nascido deitado na manjedoura”. Maria é nomeada por primeiro. Ela é a mãe do Menino que vai transformar a face da terra. Com ela está José. Lucas diz que o Menino está “deitado na manjedoura”. Ele menciona três a manjedoura. Novamente, o sinal da pobreza de Jesus. A manjedoura era o local onde os animais se alimentavam. A manjedoura é uma prefiguração do sepulcro, mas também da mesa da Eucaristia, onde Cristo se faz nosso alimento. No capítulo 2 do seu evangelho Lucas menciona nove vezes o termo “menino” ao referir-se à Jesus. Deus se fez criança, simples, pobre, ternura e amor. Deus se revela como Aquele que se expõe à simplicidade e à rejeição. É a fragilidade e a vulnerabilidade do amor. Porque ama, Deus respeita a liberdade fazendo-se pequeno e simples, necessitado dos nossos cuidados e do nosso amor. Maria nesta cena é apresentada como aquela que guardava todos estes fatos e meditava sobre eles em seu coração. Maria “conservava” tudo no seu coração. Como o odre recebe as uvas e conservando-as dá o bom vinho, Maria recebe os fatos e os conserva no coração para nos dar a boa notícia do Reino. Como no odre colocava-se as uvas que as “conserva” e devolve o bom vinho, Maria coloca em seu coração o que vivencia e “conserva” para extrair a boa mensagem de tudo o que acontece. O texto se conclui dizendo que completados os oito dias, como determinava a lei judaica, Jesus fora circuncidado, entrando assim no povo da Aliança, passa a fazer parte dos filhos de Abraão. E a ele foi dado o nome de “Jesus”, Aquele que veio para salvar do pecado, o Salvador. Iniciamos um novo ano civil ao redor da manjedoura, unidos a Maria e a José, próximos dos pastores que maravilhados contavam tudo o que lhes fora dito sobre Jesus. Na certeza de que no seu Filho, o Pai nos revelou tudo, somos convidados a anunciar ao mundo pela nossa voz e pela nossa vida que a salvação despontou para nós! Acolhendo Jesus como Maria e conservando-o em nossos corações, faremos florescer e frutificar todos os dias do novo ano, a justiça e a paz! Abençoado 2026.



