Medicina da Família e Comunidade
O Diário - 21 de abril de 2026
Isabela Eckert Calil, estudante do 5º período do curso de medicina da FACISB, orientada pelo prof. Marcos Lazaro Prado
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O Médico da Família e Comunidade acolhe, ouve e cuida do paciente como um todo, considerando não somente a doença, mas os fatores em que ele vive, o ambiente e o contexto socioeconômico e familiar. Muitos o confundem com clínicos gerais ou médicos generalistas, mas na realidade a MFC é uma especialidade específica para a atenção primária, que atende desde o bebê até o idoso, sendo responsável por resolver até 80% dos problemas de saúde da população, atuando principalmente nos postos de saúde em sintonia com a comunidade do bairro, de forma a acompanhar doenças crônicas de perto, evitando que o paciente precise ficar pulando de especialista em especialista. O médico cria um vínculo muito forte com seu paciente, acompanhando-o por toda a vida, proporcionando um cuidado individual e personalizado.
É importante lembrar que o corpo não adoece sozinho, há uma junção de fatores intrínsecos (do organismo) e extrínsecos (do ambiente) que impactam diretamente em nossa saúde. Exemplificando, podemos pensar no caso de uma criança com crises frequentes de falta de ar. Enquanto o plantonista do pronto-socorro talvez apenas receitasse uma bombinha para asma e a mandasse para casa, o médico da família atua de forma integral. Ele investiga todo o entorno dessa criança, podendo identificar uma casa com familiares fumantes ou um ambiente com mofo, evitando medicação desnecessária e diagnóstico precipitado.
A base de tudo é a prevenção, “curar a doença” antes mesmo que ela aconteça, e isso não se resume somente à vacinação. Envolve também a busca ativa no território por focos de dengue, a avaliação das condições de saneamento do bairro, a formação de grupos de apoio e a conscientização e educação da população, entre muitas outras ações de promoção da saúde.
E é nesse exercício diário de cuidado integral, que a Medicina de Família e Comunidade se revela não apenas como especialidade, mas, em sua essência mais pura, como um ato de amor.



