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Mergulhados nas águas do batismo

Diocese de Barretos - 15 de março de 2026

Mergulhados nas águas do batismo

Mergulhados nas águas do batismo

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Por Dom Milton Kenan Júnior, Bispo de Barretos

O milagre realizado por Jesus (Jo 9, 1-41) nos ajuda a compreender as muitas atitudes que podemos assumir diante de Jesus. O evangelista João diz que Jesus “ao passar viu um cego de nascença”, é como se Jesus por acaso se deparasse diante de alguém desvalido, sozinho, vulnerável a qualquer ameaça, abandonado a própria sorte. Os discípulos que acompanham Jesus se preocupam se sorte daquele homem era devido a algum pecado cometido por ele, ou pelos seus pais. Jesus não se perde em interrogações inúteis, nem procura dar explicações complicadas; mas, aproximou-se “cuspiu no chão, fez lama, com a saliva e colocou-a sobre os olhos do ceego. E disse-lhe: “Vai lavar-te na piscina de Siloé...O cego foi, lavou-se e voltou enxergando” (v. 6-7). O milagre não provoca estupor, admiração, alegria nos que se encontram com o cego, mas entre os que conheciam o cego dificuldade para acreditar, dizem que talvez seja outro o cego que eles conheciam, os fariseus condenam a atitude de Jesus por ter curado o cego num dia de sábado, pois consideravam Jesus um pecador (v. 16) e não acreditaram que aquele homem tinha sido cego e que tinha recuperado a vista (v. 18); os pais daquele homem por medo da reação dos doutores da lei e fariseus quando interrogados, colocam a responsabilidade sobre o cego: “Ele é maior de idade, ele pode falar por si mesmo” (v.21). O pobre do homem que havia sido recuperado a vista, por ter reagido a declaração dos mestres da lei que consideravam Jesus um pecador, é expulso da comunidade. Mais fácil do que enfrentar os fatos é negá-los, foi assim que os judeus agiram diante do milagre realizado por Jesus. Jesus encontrando-se com aquele homem ridicularizado, rejeitado, duvidado, lhe pergunta-lhe se ele acredita no Filho do Homem; e, ele “Eu creio, Senhor! E prostrou-se diante de Jesus” (v. 38). Encontramos aí uma das mais belas profissões de fé no evangelho de João. O homem que havia sido cego não professa sua fé por aquilo que teria aprendido, ou ouvido dizer, mas a partir da sua experiência, do seu encontro real com Jesus. Por isso este fato nos leva a refletir sobre a nossa fé e, ao mesmo tempo sobre o nosso batismo. O cego de nascença representa a nós quando não nos damos conta de que Jesus é a luz, é a “luz do mundo”, quando nos distraímos a outras luzes na vida e caminhamos às apalpadelas na escuridão. Assim, como o cego ao lavar-se na piscina de Siloé recuperou a vista, assim também nós mergulhados na água do batismo somos iluminados por Cristo e, chamados a agir como filhos da luz. Jesus diz que ele realiza um julgamento enquanto caminha neste mundo: “a fim de que os que veem vejam, e os veem se tornem cegos” (v. 39). Ao aproximar-nos de Cristo, Ele nos ilumina: liberta-nos da ignorância, do preconceito e do medo. Faz-nos ver tudo com uma nova luz que nos permite reconhecer sua presença em todos os momentos da nossa vida, e, superarmos o nosso medo, nossa covardia, nossos interesses egoístas para assim vivermos na luz de Cristo e irradiá-la pela nossa vida!