Metanol: o veneno invisível
O Diário - 10 de janeiro de 2026
Victoria Louyse Vaz Constantino, estudante do 4º período do curso de Medicina da FACISB, orientada pelo prof. Otávio Costa Vincenzi
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O metanol, ou ácido metílico, é um álcool incolor, volátil, com leve odor alcoólico, geralmente usado como solvente e combustível na indústria química. Embora pareça inofensivo, torna-se extremamente perigoso quando ingerido. Isso ocorre porque, dentro do organismo, ele é convertido em outros compostos químicos que atacam diretamente o sistema nervoso, principalmente o nervo óptico, responsável pela visão. Por essa razão, mesmo pequenas quantidades ingeridas podem causar cegueira ou mesmo serem fatais. A intoxicação por metanol geralmente acontece após o consumo de bebidas alcoólicas adulteradas, já que o metanol é mais barato que o etanol (o álcool das bebidas) e se mistura a ele sem alterar cor ou cheiro. Os sintomas começam, geralmente, entre 12 e 24 horas após a ingestão. No início, tudo parece uma simples ressaca: dor de cabeça, náuseas, dor abdominal e confusão mental. No entanto, com o avanço do processo tóxico, o sistema nervoso começa a ser ainda mais afetado, principalmente o nervo óptico e a retina. Com isso, surgem visão embaçada e dificuldade de ver cores, conhecida como “chuva de pixels”, podendo evoluir rapidamente para cegueira temporária ou permanente. Caso não seja feito nenhum tipo de tratamento, com até 48 horas podem surgir convulsões, coma, arritmias e risco elevado de falência múltipla de órgãos. Nesse ponto, o caso se torna tão grave que mesmo intervenções médicas apresentam menor chance de reversão. O tratamento é uma emergência e envolve o uso de antídotos e tratamento intensivo. A prevenção é a melhor estratégia para se evitar a intoxicação por metanol. É sempre bom lembrar que nunca se deve consumir bebidas de procedência duvidosa, sem rótulo ou com lacre rompido. Qualquer sintoma após ingerir álcool, especialmente visão alterada, mal-estar persistente ou dor abdominal, exige procura imediata por atendimento médico. A conscientização da população e dos profissionais de saúde é essencial para evitar sequelas irreversíveis e reduzir mortes causadas por esse perigoso “veneno invisível”.



