Missa Crismal: Sinal de Unidade e Renovação da Fé da Igreja
Diocese de Barretos - 8 de abril de 2026
Missa Crismal: Sinal de Unidade e Renovação da Fé da Igreja
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Por Pe. Matheus Francisco, Vigário Paroquial São João Batista, Olímpia-SP
A Páscoa é o coração da fé cristã. Nela celebramos a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, e, com isso, a certeza de que a vida nova é possível. Mas essa verdade não deve permanecer apenas no campo da doutrina; ela precisa se tornar experiência concreta. E a primeira manifestação dessa experiência é a alegria. A alegria pascal não é superficial nem passageira. Não se trata de um entusiasmo momentâneo ou de uma emoção leve. É uma alegria profunda, que nasce da certeza de que Cristo ressuscitou e está vivo. É a alegria de quem sabe que a última palavra não é da morte, mas da vida. Os Evangelhos nos mostram que, ao encontrar o Ressuscitado, os discípulos experimentam uma transformação interior. Aqueles que estavam com medo, fechados e inseguros, passam a viver com coragem e esperança. A tristeza dá lugar à alegria. O medo é substituído pela confiança. Isso porque a Ressurreição muda tudo. Santo Agostinho afirmava: “Somos um povo pascal e o Aleluia é o nosso canto.” Essa frase resume bem a identidade do cristão. Ser cristão é viver marcado pela alegria da Ressurreição. Não uma alegria ingênua, que ignora as dificuldades, mas uma alegria que permanece mesmo em meio às provações. No contexto do Ano da Fé, essa alegria se torna ainda mais necessária. Vivemos em um mundo marcado por tantas incertezas, angústias e desânimos. Muitas vezes, a fé corre o risco de se tornar algo pesado, distante ou apenas teórico. Por isso, redescobrir a alegria pascal é essencial: ela revela que a fé não é um fardo, mas um encontro que transforma a vida. Ser sinal do Ressuscitado é, antes de tudo, viver com alegria. Isso não significa estar sempre sorrindo ou sem problemas, mas viver com um coração que confia, que espera e que não se deixa vencer pelo desânimo. A alegria cristã é fruto do Espírito Santo e brota de uma vida enraizada em Deus. O Papa Francisco recorda que o cristão não pode ter “cara de funeral”, mas deve refletir a alegria do Evangelho. Essa alegria é testemunho. Em um mundo muitas vezes cansado e ferido, um cristão alegre se torna um sinal forte da presença de Deus. No entanto, essa alegria precisa ser cultivada. Ela nasce da oração, da escuta da Palavra, da participação nos sacramentos e da vida em comunidade. Quanto mais nos aproximamos de Cristo, mais nossa vida é transformada por essa alegria. Além disso, a alegria pascal se manifesta na forma como vivemos o cotidiano. No modo como tratamos as pessoas, na paciência diante das dificuldades, na capacidade de perdoar, na esperança que carregamos mesmo em meio às cruzes. É uma alegria que se torna visível. A Ressurreição de Cristo não é apenas um acontecimento do passado. É uma realidade presente que transforma a vida de quem crê. Por isso, a alegria não é opcional na vida cristã — ela é consequência da fé. Viver a Páscoa é, portanto, deixar que essa alegria transborde. É permitir que o encontro com Cristo Ressuscitado ilumine toda a existência. (Continua na coluna de sábado)



