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Morte confirma feminicídio após ataque com fogo de ex-companheiro

Sandra Moreno - 22 de abril de 2026

Morte confirma feminicídio após ataque com fogo de ex-companheiro

Morte confirma feminicídio após ataque com fogo de ex-companheiro

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A morte de Deise Batista, de 33 anos, na terça-feira (21), confirmou o crime de feminicídio após o ataque sofrido na madrugada de sábado (18), no bairro Zequinha Amêndola. Ela estava internada na Santa Casa com 92% do corpo queimado e não resistiu aos ferimentos. O caso, inicialmente registrado como tentativa, passa agora a ser investigado como feminicídio consumado.

De acordo com a Polícia Militar, o ex-companheiro da vítima, Lucas Antônio Bernadino, de 38 anos, utilizou gasolina para atear fogo em Deise durante uma confraternização, por volta das 3h30 da manhã.  A vítima ainda tentou buscar ajuda, mas teve o corpo tomado pelas chamas. Ela foi socorrida, entubada e levada em estado grave para atendimento médico.

Lucas Antônio fugiu após o crime em um veículo e foi localizado ainda no sábado em Minas Gerais. Ele foi perseguido por policiais militares, perdeu o controle do carro e tentou se esconder em uma área de mata, mas acabou preso em flagrante após cerco das forças de segurança daquele estado.  No momento da abordagem, confessou o ataque. Com ele, foram encontrados um galão com combustível, um isqueiro e o celular, que foi apreendido para investigação.

O flagrante foi formalizado na cidade de Frutal (MG), e o suspeito permanece detido em Itapagipe (MG). De acordo com a polícia civil , ele deverá ser transferido para o estado de São Paulo, onde responderá pelo crime. Segundo a polícia, ele já possuía antecedentes por homicídio e havia progredido recentemente para o regime aberto.

Segundo apuração da polícia, o suspeito não aceitava o fim do relacionamento, encerrado cerca de 30 dias antes, e já vinha ameaçando a vítima. Testemunhas relataram que, horas antes do crime, ele afirmou que colocaria fogo no corpo de Deise. Mesmo diante das ameaças, a vítima não chegou a registrar ocorrência ou solicitar medida protetiva.

COLETIVA

Em entrevista coletiva, na manhã de quarta-feira (22), na sede da Delegacia de Defesa da Mulher, a escrivã de polícia Taciana Nunes, que representou a delegada Débora Cristina Abdala Nóbrega, destacou que o crime apresenta indícios de premeditação. “Ele já vinha fazendo ameaças e, inclusive, antecipou a forma como cometeria o crime. Isso demonstra que não foi uma ação impulsiva, mas planejada”, afirmou.

Taciana também ressaltou a importância da atuação conjunta das forças de segurança para a rápida prisão do suspeito. “É fundamental reconhecer o trabalho integrado entre as polícias. Essa união foi essencial para a resposta rápida e eficiente neste caso”, disse.

A escrivã reforçou ainda o alerta para que mulheres em situação de violência procurem ajuda ao primeiro sinal de ameaça. “O feminicídio, na maioria das vezes, não começa no ato extremo. Ele se inicia em comportamentos como ciúmes excessivos, controle e intimidação. É fundamental confiar no trabalho da Delegacia da Mulher e buscar apoio o quanto antes”, orientou.

A Polícia Civil segue agora com as investigações, que devem reunir novos elementos, incluindo dados do celular apreendido, para conclusão do inquérito. A pena para o crime de feminicídio pode chegar a 40 anos de prisão.

Deise foi enterrada na terça-feira (21) no Cemitério Municipal. Familiares e amigos prestaram homenagens utilizando camisetas com a foto da vítima. Ela deixa duas filhas, de 10 e 12 anos.