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Mulheres, antigas e novas personagens

O Diário - 10 de março de 2026

Mulheres, antigas e novas personagens

KARLA ARMANI MEDEIROS, historiadora e titular da cadeira 7 da ABC – @profkarlaarmani 

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Escrevo este texto no Dia Internacional da Mulher, mesmo que ele seja publicado dias depois. Já que a máxima é “todo dia é dia da mulher”, então, que revivamos esse tema independente da efeméride. Há anos, Barretos tem sido meu universo particular de trabalho, e nele eu escavo, capturo e apresento mulheres que antes não tiveram a chance de aparecer na História. Pode parecer panfletário – e talvez seja – uma historiadora mulher enaltecer personagens femininas em seus estudos, mas, para além de uma releitura da História, eu gosto de escrever sobre mulheres no passado porque elas são de fato personagens notáveis, desde aquelas que foram revolucionárias e vanguardistas, até aquelas que apenas aparecem nas fontes como grupos e séries. 

Na história de Barretos, desde o século XIX temos mulheres interessantes a apresentar, começando pela fundadora Ana Rosa de Jesus e mulheres do mesmo século, como a sra. Henriqueta Laudemira Franco, a Rainha do Rio Pardo. Mais adiante no tempo, personagens como a pianista Haydeé Menezes e a ativista política Elisa Branco possuem ricas histórias a serem compartilhadas. Grupos de mulheres também são importantes de considerar, como as operárias que trabalhavam no Frigorífico Anglo, em grande parte imigrante, e as religiosas que tomaram conta dos primeiros hospitais na cidade. Por outro lado, as meretrizes despertam temas tabus e igualmente nevrálgicos da sociedade. É essencial elencar também a trajetória de mulheres na política, como a primeira vereadora eleita – no período ditatorial – a professora Maria Ignês de Ávila Jacinto, assim como certas primeiras-damas que tiveram papel importante em alguns mandatos, como as sras. Diva Rocha e Eunice Prudente de Carvalho. Médicas são sempre importantes na história, principalmente as mais antigas que ousaram estudar uma profissão que parecia ser destinada aos homens. Scylla Duarte Prata e Nilda Bernardi apresentam trajetórias de grandes frutos em suas áreas médicas. 

Eu poderia citar tantos outros exemplos, mas prefiro deixar o leitor na certeza de que novas personagens estão sendo descobertas e outras estão agora fazendo História para, no futuro, registarem nestas linhas trajetórias ainda mais revolucionárias.