Museus: novos olhares
O Diário - 10 de fevereiro de 2026
KARLA ARMANI MEDEIROS, historiadora e ocupante da cadeira 7 da ABC - @profkarlaarmani
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Não sei você, caro leitor, mas eu me encanto com a capacidade que os museus têm de mostrar o passado, sob um olhar atual. Explico melhor: quando se entra em um museu, a experiência que nos passa pelos olhos, pelos ouvidos e pelo tato não é apenas a apresentação de um objeto ou de uma coleção antiga, é a representação da época atual a partir daquela peça. É como o tempo presente enxerga o passado.
Diga-me: isso não é encantador?
Esse fato se torna mais notável quando voltamos o olhar às expografias dos museus de décadas atrás. Quem visitava um museu nos anos 1970 tinha uma experiência muito diferente dessas que nos são oferecidas na atualidade. E ao futuro são reservados olhares ainda mais diversos. Dentre os fatores que contribuem para isso, a formação de museólogos e o alcance desses profissionais são elementos impactantes nessas mudanças. Porém, as novas correntes da ciência histórica, a inserção de outros grupos sociais em estudos das ciências humanas, a fruição da arte e da literatura, assim como as mudanças sociais, são reflexos que modulam e impactam as expografias dos museus.
O Museu do Ipiranga, na capital paulista, talvez seja o exemplo mais prático desses novos olhares. Reinaugurado em tempos recentes, boa parte das peças expostas é acervo antigo, mas a maneira de apresentá-las - atualizando o contexto, inserindo novos personagens e tornando o espaço cada vez mais acessível - são exemplos de intervenções atuais que há vinte anos pouco se via. Aliás, o item “acessibilidade” figura entre o que há de mais inovador nos museus atualmente. Embora não seja uma realidade para todos, ao menos nos museus maiores, nota-se a presença de elevadores, textos em braile, traduções para outras línguas, descrições em áudios, redirecionamento para plataformas virtuais, dentre outros exemplos. A acessibilidade nos museus é o verdadeiro olhar de democracia para a sua visitação, estudo, apreciação e conhecimento.
Os novos olhares dos museus – tanto para quem os organiza, quanto para quem os visita – tornam esses espaços um portal para o passado, o retrato do momento e um passe para o futuro. Pois não há como sair de um museu sem sentir essa brincadeira do tempo.




