Nota a respeito das eleições de 2026
O Diário - 24 de setembro de 2026
Dom Milton Kenan Júnior - Bispo de Barretos
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Às vésperas das eleições que ocorrerão no próximo dia 4 de outubro de 2026, quando decidiremos quem deverá governar nosso país e nosso estado, assim como os membros do Senado Federal, da Câmara dos Deputados e da Assembleia Legislativa, dirijo-me a vocês, como bispo desta porção do povo de Deus para lembrá-los da responsabilidade que pesa sobre nós neste momento.
Creio que é preciso considerar, antes de tudo, que a orientação que a Igreja oferece surge da sua fidelidade ao Evangelho. A Igreja não tem partido político e, ao mesmo tempo, não indica nomes, consciente de que esta escolha é direito dos eleitores, que, por sua vez, deverão fazê-lo de maneira consciente e responsável.
Ao votar, é preciso que o façamos levados não pela simpatia ou conveniência, mas a partir do conhecimento das propostas, do histórico, das alianças, das posições públicas, da coerência e das consequências das políticas defendidas. Conhecer aqueles ou aquelas em quem iremos votar é fundamental.
Temos a obrigação, enquanto cristãos, de examinar as propostas dos partidos e dos candidatos que pedem nosso voto, para ver até onde eles correspondem ao bem de todos, à verdade, ao respeito pela dignidade humana, ao cuidado com a vida desde a concepção até o seu fim natural, à defesa da família, à liberdade religiosa, bem como à justiça social e à solidariedade com os mais vulneráveis da sociedade.
Em consciência, não podemos, através do nosso voto, tornar-nos coniventes com esquemas de corrupção, em que a justiça é desprezada e ferida, e a verdade amordaçada. Por isso, ao examinar os candidatos, é preciso que analisemos o seu compromisso efetivo com a preservação dos bens públicos, o combate à corrupção, a preocupação em sanar as dívidas da Nação e dos Estados para não onerar ainda mais a população com impostos desmedidos.
Governar é servir ao Bem Comum e administrar bens que pertencem à sociedade; por isso, há necessidade de transparência, seja nas propostas, seja nos planos de governo, bem como de comprovada coerência entre discurso e prática.
Aos que pretendem uma reeleição, é preciso ainda o cuidado de observar a sua conduta quando desempenhou o cargo político, a competência com que soube lidar com as necessidades do povo e se a sua sensibilidade com as pautas políticas está de acordo com os valores éticos e morais preconizados pela mensagem evangélica.
Não poderemos lamentar amanhã se escolhermos mal os que haverão de nos representar por meio do nosso voto. O nosso voto é a grande chance para construirmos um país onde a liberdade, a justiça e a verdade prevaleçam. O nosso voto é a oportunidade de garantir saúde com qualidade, educação satisfatória, qualidade de vida e serviços indispensáveis para todos os cidadãos e cidadãs brasileiros.
Peço a Deus, pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, que todos nós brasileiros, católicos ou não, participemos das próximas eleições conscientes da importância do nosso voto e certos de que, se cada um de nós fizer o que está ao seu alcance, teremos com certeza um país melhor para todos.
Barretos, 22 de setembro de 2023