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Notas que acolhem: o papel da música no cuidado em hemodiálise

O Diário - 13 de agosto de 2026

Notas que acolhem: o papel da música no cuidado em hemodiálise

Maria Eduarda Ronchi Rocha, estudante do 6. Período do curso de Medicina, orientada pela profª Roberta Thome Petroucic

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Uma nota musical raramente chega sozinha. Ela carrega lembranças, desperta afetos e, muitas vezes, reconstrói cenários inteiros dentro de quem escuta. Há músicas que trazem de volta momentos específicos, enquanto outras ajudam a aliviar tensões e tornar as emoções mais compreensíveis. Em poucos instantes, uma melodia pode suavizar o ritmo da respiração, aliviar tensões e transformar o ambiente ao redor. Esse efeito, tão presente na experiência cotidiana, começa a ganhar também um espaço legítimo dentro do cuidado em saúde.

No contexto da doença renal crônica, especialmente entre pacientes em hemodiálise, essa dimensão sensível do cuidado se torna ainda mais relevante. A rotina de sessões frequentes, o tempo prolongado conectado a máquinas e o impacto físico e emocional do tratamento contribuem para dor, ansiedade e desgaste contínuo. Nesse cenário, estratégias que vão além do tratamento convencional têm sido cada vez mais valorizadas.

É nesse ponto que a música se insere como uma possibilidade terapêutica complementar. Evidências científicas reunidas em uma revisão sistemática com meta-análise demonstram que intervenções baseadas em música podem contribuir para a redução da dor e da ansiedade, além de promover efeitos fisiológicos como a diminuição da frequência cardíaca e da pressão arterial. Mais do que números, esses achados reforçam algo intuitivo: o corpo responde ao que sente, e o que se ouve também pode cuidar.

Isso não significa substituir tratamentos já consolidados, mas ampliar a forma como o cuidado é compreendido. Incorporar a música no ambiente da hemodiálise é, antes de tudo, reconhecer o paciente para além da doença. Em meio aos sons mecânicos e à repetição das sessões, permitir que uma melodia atravesse esse espaço pode representar mais do que conforto momentâneo, pode ser um gesto de humanização, capaz de tornar o tratamento mais leve, mais suportável e, sobretudo, mais humano.