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O árbitro que voltou como herói

O Diário - 12 de junho de 2026

O árbitro que voltou como herói

Kleber Aparecido da Silva é Professor Associado 4 do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais e em Linguística na Universidade de Brasília. Foi Visiting Scholar em Stanford University, Penn State University e CUNY Graduate Center, em New York. É Bolsista em Produtividade em Pesquisa pelo CNPq

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O esporte mundial testemunhou, nesta semana, uma história que vai muito além das quatro linhas. O árbitro somali Omar Artan, impedido de entrar nos Estados Unidos para atuar na Copa do Mundo, retornou à Somália e foi recebido como herói nacional por centenas de apoiadores e autoridades. Artan estava prestes a alcançar um feito inédito: tornar-se o primeiro árbitro da Somália a participar de uma Copa do Mundo. Reconhecido como um dos melhores árbitros do continente africano, ele foi eleito o melhor árbitro masculino da África em 2025 e havia sido incluído na lista oficial da FIFA para o torneio.

No entanto, ao chegar ao Aeroporto Internacional de Miami, foi barrado pelas autoridades estadunidenses por supostas questões de verificação, cujos detalhes não foram divulgados. Em consequência, a FIFA retirou seu nome da lista de árbitros da competição. A decisão gerou forte repercussão na Somália. Ao desembarcar em Mogadíscio, Artan recebeu uma recepção calorosa, marcada por aplausos, bandeiras e manifestações de apoio. A homenagem demonstrou o orgulho de uma nação que via no árbitro a representação de uma conquista histórica para o país.

Emocionado, Artan agradeceu ao governo, ao povo somali e à FIFA pelo apoio recebido. Mais do que lamentar a oportunidade perdida, preferiu transmitir uma mensagem de esperança. “Estarei presente na próxima edição”, afirmou. Sua trajetória mostra que o verdadeiro reconhecimento nem sempre está nos grandes palcos. Mesmo sem participar da Copa do Mundo, Omar Artan tornou-se símbolo de perseverança, dignidade e inspiração para milhares de jovens que acreditam no poder transformador do esporte.