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O audiovisual na era digital e a cultura brasileira

O Diário - 5 de março de 2026

O audiovisual na era digital e a cultura brasileira

José Geraldo Resende – Bacharel em Direito, ator, pesquisador e militante cultural

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O Brasil vive um momento decisivo no audiovisual. A transformação digital abriu portas para criadores independentes, que hoje podem produzir com câmeras acessíveis e softwares baratos. Inteligência artificial, realidade aumentada e experiências imersivas ampliam narrativas, conectando tradição e inovação. Mas, ao mesmo tempo, expõem fragilidades estruturais.

As plataformas de streaming e as redes sociais deram alcance global às obras nacionais. Produções regionais, indígenas e afro-brasileiras encontram espaço e podem viralizar. Porém, a concorrência com blockbusters estrangeiros é desigual. Algoritmos invisibilizam conteúdos brasileiros e reforçam a dependência de plataformas internacionais.

O consumo também mudou. A interatividade aproxima público e obra, e nichos culturais ganham força. Mas a fragmentação da audiência reduz impacto coletivo e ameaça a identidade nacional. A avalanche de conteúdos estrangeiros impõe padrões estéticos globais, enfraquecendo referências locais.

Nesse cenário, políticas culturais são urgentes. É preciso atualizar a legislação para garantir soberania cultural e competitividade. Incentivos à diversidade digital e apoio a coletivos de produção e distribuição podem criar uma rede popular capaz de sustentar todas as etapas do processo criativo.

O futuro do audiovisual brasileiro depende de equilibrar acesso global com valorização da identidade nacional-popular. Núcleos interconectados de pesquisa, produção e divulgação, articulados com universidades e escolas técnicas, podem fortalecer o setor. Assim, a transformação digital deixa de ser ameaça e se torna oportunidade: gerar emprego, renda e preservar o imenso manancial cultural do Brasil.