O começo de qualquer conversão humana
O Diário - 18 de setembro de 2026
Padre Márcio Tadeu
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Uma ministra do Supremo Tribunal Federal disse, em sessão pública, que está envergonhada. Não do povo brasileiro. Da própria Casa onde ela trabalha há quase vinte anos. Cármen Lúcia disse que o Judiciário existe para tranquilizar as pessoas e que eles andam produzindo o contrário disso.
Eu vi essa fala e fiquei pensando um tempo antes de dizer qualquer coisa. Porque não é comum. A gente está acostumado com autoridade que se explica, que se defende, que joga a culpa no outro lado. Vergonha é outra coisa. Vergonha é quando alguém olha para dentro e não gosta do que encontra. Isso não é fraqueza institucional. Isso é o começo de qualquer conversão humana que eu já acompanhei de perto.
Quando um pessoa que chega dizendo na confissão “padre, eu não tenho nada de grave” costuma sair do mesmo jeito que entrou. A pessoa que chega envergonhada, essa sai diferente. A vergonha é o único lugar por onde a graça consegue entrar, porque ela abre uma fresta na nossa autodefesa. Vale para um casal, vale para um médico, vale para um tribunal. Lembram da vergonha do Filho pródigo?
O Salmo 146 tem um versículo que o Brasil inteiro devia repetir nesse momento. Ele diz para não pormos nossa confiança nos príncipes, em filho de homem algum, porque nenhum deles pode salvar. Isso não é desprezo pelas instituições. É realismo. Instituição é feita de gente, e gente cansa, gente erra, gente é pressionada, gente tem vaidade. Quem espera de um tribunal aquilo que só Deus pode dar vai viver de decepção em decepção.
E Jeremias, no capítulo 17, compara quem confia no Senhor a uma árvore plantada junto à água. Vem a seca, e ela continua verde. Repare no detalhe: a seca vem do mesmo jeito. A crise não é cancelada.
Então eu te proponho uma coisa concreta esta semana. Reze pelos onze ministros. Pelo nome de cada um. É muito mais difícil odiar alguém por quem você reza chamando pelo nome. E, sim, que eles comecem a ter vergonha... a conversão começa por aí.