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O Concílio Vaticano II através de seus documentos

Diocese de Barretos - 14 de fevereiro de 2026

O Concílio Vaticano II através de seus documentos

O Concílio Vaticano II através de seus documentos

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Por Pe. Matheus Flávio, Vigário Catedral, Barretos-SP.

O Papa Leão iniciou um novo ciclo de catequeses tendo como tema o Concílio Vaticano II, então queremos acompanhá-lo nestas reflexões. O Concílio Vaticano II constitui um dos acontecimentos mais significativos da história recente da Igreja, sendo reconhecido como uma verdadeira graça do Espírito Santo para o nosso tempo. São João Paulo II, ao recordar o Jubileu do Ano 2000, afirmou com clareza: “Sinto ainda mais intensamente o dever de indicar o Concílio como a grande graça de que beneficiou a Igreja no século XX” (Novo millennio ineunte, 57). Tal afirmação sublinha a importância permanente do Concílio como referência segura para a vida e a missão da Igreja. Embora tenham se passado décadas desde a sua realização, entre 1962 e 1965, os ensinamentos do Concílio Vaticano II não perderam a sua atualidade. Pelo contrário, como recordou Bento XVI, “com o passar dos anos, os Documentos conciliares não perderam atualidade; os seus ensinamentos revelam-se particularmente pertinentes em relação às novas instâncias da Igreja e da atual sociedade globalizada” (Primeira Mensagem após a eleição, 20 de abril de 2005). Por isso, torna-se necessário ir além de interpretações superficiais e retornar diretamente aos seus Documentos, que constituem Magistério vivo da Igreja. Na abertura do Concílio, São João XXIII descreveu-o como a aurora de um novo dia para a Igreja. Reunidos bispos de todos os continentes, a Igreja foi convidada a olhar para si mesma à luz do Evangelho e a redescobrir o seu rosto mais autêntico. O Concílio apresentou Deus como Pai misericordioso, que em Cristo chama toda a humanidade à comunhão; revelou a Igreja como “luz das nações” (Lumen gentium, 1), mistério de comunhão e sacramento de unidade entre Deus e os homens; e promoveu uma profunda renovação litúrgica, colocando no centro o mistério pascal e a participação ativa de todo o Povo de Deus. Além disso, o Vaticano II ajudou a Igreja a abrir-se ao mundo contemporâneo, não com medo, mas com confiança evangélica. Assumindo uma atitude de diálogo, a Igreja passou a escutar as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias da humanidade (Gaudium et spes, 1), comprometendo-se com a justiça, a paz e a dignidade da pessoa humana. Como ensinou São Paulo VI, “a Igreja torna-se palavra; a Igreja faz-se mensagem; a Igreja torna-se diálogo” (Ecclesiam suam, 67). Contudo, o Concílio não se limitou a reformas estruturais. Ele foi, sobretudo, um apelo à santidade e à renovação interior. O então bispo Albino Luciani lembrava que “não se trata tanto de realizar organismos ou métodos, mas uma santidade mais profunda e vasta”. Redescobrir hoje o Concílio Vaticano II, como afirma o Papa Francisco, é permitir que a Igreja seja novamente “louca de amor pelo seu Senhor e por todos os homens” (Homilia, 11 de outubro de 2022), renovando a alegria de anunciar ao mundo o Evangelho do Reino de Deus.