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O escândalo do Banco Master

O Diário - 8 de março de 2026

O escândalo do Banco Master

DANILO PIMENTA SERRANO É ADVOGADO E PROFESSOR UNIVERSITÁRIO

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A cada dia que passa, o caso do Banco Master vem se mostrando cada vez mais grave, à medida que se descortina a existência de uma verdadeira organização criminosa dentro da instituição, que por vezes parece operar de forma semelhante a uma máfia. Ao que tudo indica, essa organização forjou ligações com os mais altos escalões da República, inclusive no STF, mediante supostos pagamentos milionários a empresas ou escritórios de parentes de políticos e de ministros da Corte. 

Penso que esse caso tem potencial para se tornar um dos maiores escândalos da história republicana do Brasil — não necessariamente em termos financeiros, dado o volume de recursos envolvidos no chamado “Petrolão”, difícil de superar —, mas sobretudo em termos políticos, pelo seu caráter explosivo e pela possibilidade de expor as entranhas do submundo de Brasília.

Nesta semana, com a divulgação de diálogos chocantes extraídos do celular de Daniel Vorcaro, veio à tona a informação de que o banqueiro mantinha um “capanga”, apelidado de “sicário”, remunerado com um milhão de reais ao mês, responsável por intimidar opositores e jornalistas. Em uma fala digna de um mafioso, o banqueiro sugeriu ao seu sicário “dar pau” em um jornalista e lhe “quebrar os dentes num assalto”. O “sicário”, detentor de muitas informações de interesse dos investigadores, infelizmente se suicidou, horas após a sua prisão. 

O mesmo conjunto de mensagens indicaria que Daniel Vorcaro mantinha conversas frequentes com o ministro Alexandre de Moraes - cujo escritório de advocacia pertencente à sua esposa teria sido contratado pelo banqueiro por mais de R$ 3,5 milhões mensais -, inclusive no dia de sua prisão, quando teria enviado uma mensagem ao ministro dizendo: “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. De acordo com as notícias, Moraes teria respondido com uma mensagem de visualização única, cujo teor não foi recuperado pela perícia. 

 Resta acompanhar os desdobramentos desse caso, que certamente revelará aspectos inquietantes do funcionamento do poder no Brasil.