O milagre da partilha (Texto I)
Diocese de Barretos - 4 de fevereiro de 2026
O milagre da partilha (Texto I)
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Por Pe. Flávio Aparecido Pereira, Vigário Paroquial Catedral Barretos
No evangelho de São Mateus, capítulo seis, vemos o discurso de Jesus sobre o Pão da vida, partindo do milagre da multiplicação dos pães e peixes, ou melhor, da partilha desses alimentos. No texto, a multidão representa todas aquelas pessoas que se sentem sedentas da Palavra de Deus e, por isso, é capaz de jejuar por dias, a fim de que O escutassem e tivessem suas necessidades satisfeitas. Essa multidão pode ser, para nós, transcrita de duas formas: 1ª – Sem ter uma perspectiva para um futuro em sua vida, ela acorre ao lugar que melhor lhe satisfaça, ou seja, ela vai de acordo com os modismos e age conforme determinar naquele momento, a sua vontade; e 2ª – Uma multidão convicta de sua fé, e, independente das intempéries da vida, ela vence todos os obstáculos para estar com o Senhor, enfrentando fome, sede, pois não se importa com seu corpo, mas sim com a salvação de suas almas (que na Igreja é o bem supremo). O primeiro passo que devemos dar para seguir o Messias é: ouvir falar dEle, fazer nosso encontro e nos apaixonar por Ele. Mas devemos tem em mente que não é um caminho fácil, pois ao ouvir falar dEle, passamos a querer conhecê-Lo e consequentemente, ao ouvir kerigma (primeiro anúncio), também eu vou querer, em meu íntimo, fazer a experiência do encontro, e do ouvir o outro testemunhar, passo eu a testemunhá-Lo com minha visão, audição e sentimentos. O outro, seu testemunho, eram protagonistas, mas agora, indo ao encontro de Deus, sou eu quem testemunho o encontro, vivo a minha fé e sigo os passos dEle. A multidão do texto citado buscava sinais, devido ao fato de terem ouvido falar das curas que Jesus realizava em favor de muitos doentes. De certa forma, ela também queria a cura. O texto nos coloca em sintonia com uma das definições que temos sobre a Sagrada Eucaristia, apresentada aqui como partilha. No tocante ao significado da Eucaristia, propriamente dita, ela é AÇÃO DE GRAÇAS e, enquanto tal, vemos no versículo onze que Cristo ‘rende graças pelo pão e peixes’, alimentos que ali havia. Jesus, ao perceber a multidão vindo em sua direção, fica comovido, pois ela o seguia com muita perseverança e sequer parou para se alimentar. Ele não se apavora, pois tem olhar terno sob todos que a Ele acorrem e sente, dela, compaixão. No diálogo com Filipe, o Mestre quer fazer uma transformação em seu coração, por isso o interpela sobre o ‘ter algo aí para comer’. Muitas vezes nós agimos pelo impulso do imediatismo e tal qual Filipe, respondemos que ‘nem duzentas moedas dariam para saciar essa multidão’; em outras palavras, vamos percebendo que a pedagogia utilizada por Jesus é aquela que diz para confiarmos na providência, pois Deus não desampara quem a Ele se dirige com o coração sincero, com a alma aberta e com as feridas a ponto de serem curadas (continua...).




