O Milagre da Partilha (Texto II)
Diocese de Barretos - 11 de fevereiro de 2026
O Milagre da Partilha (Texto II)
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Por Pe. Flávio Aparecido Pereira, Vigário Paroquial Catedral Barretos
Para que o milagre da partilha pudesse ocorrer, Jesus pede que os discípulos façam a multidão se sentar, e, após RENDER GRAÇAS, realiza a multiplicação, distribuindo os pães e os peixes, para saciar a todos. Ao olharmos para algumas situações ímpares de nossa vida, mesmo que elas se apresentem como impossíveis, Ele nunca vai nos desamparar. Isso nos faz aprender, que apesar de algumas situações de nossa vida serem preocupantes e/ou desesperadoras, ao colocar nossa confiança em Deus, devemos manter a calma pois, por meio de sua misericórdia, contemplaremos a certeza de que nossos anseios, nossas necessidades e nossos medos não passarão despercebidos diante dEle. Olhando por uma lógica humana, a multiplicação pode até parecer mentira, pois: como é possível dividir cinco pães e dois peixes para mais ou menos cinco mil pessoas e ainda sobrar? Tal feito é possível, pois podemos observar que ‘o pouco com Deus se torna muito e o muito sem Deus se torna nada’. Aos olhos humanos, é impossível que tal milagre aconteça, mas não estamos falando de uma lógica e de um olhar mundano/humano, e sim de uma transformação que humanamente parece ser impossível, para que contemplemos uma realidade que só é possível quando Deus mostra que ‘tem compaixão’, ou seja, sente a dor do outro como se fosse a sua própria dor. Esta realidade só se torna possível quando entregamos para Ele a menor coisa ou qualquer que seja a situação e, confiando, Ele agirá em seu tempo, e sabendo da nossa fome, da nossa sede, da nossa necessidade, em meio à nossa entrega, Ele nos dará o melhor possível. O menino do evangelho não tinha nada a ver diretamente com a história, até aquele momento não tinha aparecido, era mais um em meio à multidão, mas sai do anonimato para dar a Deus tudo o que ele possuía, mesmo sem saber se ficaria sem ou não, ele dá tudo, pois confia plenamente (nas palavras de Jesus). Os cinco pães e dois peixes representam a perfeição, salvo que cinco somado a dois dão sete, e o número sete na Bíblia representa a perfeição e a contemplação da obra criada. Assim, podemos dizer que o menino dera a Deus a perfeição, e se alguém dá a Deus a perfeição, o que pode sobrar dela, senão a própria perfeição? O mesmo vale para os cestos recolhidos das sobras, que somam doze, número que representa a totalidade de um povo, as doze tribos de Israel e os doze apóstolos, ou seja, o Antigo (Testamento) que tem sua plena realização no Novo (Testamento). Não nos esqueçamos da relva, que representa uma dificuldade para quem está ali ouvindo, ela representa para nós todo tipo de dificuldade que nos impede de chegar próximos a Jesus, nos sentar em sua presença e mais, os obstáculos e pecados que nos cercam quando nos propomos mudar de vida e seguir Jesus (continua...).



