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O museu iluminado e um segredo

O Diário - 9 de dezembro de 2025

O museu iluminado e um segredo

KARLA ARMANI, historiadora e cadeira 7 da ABC - @profkarlaarmani

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            Eu sei, está belíssimo o nosso Museu Ruy Menezes todo iluminado.

            A iluminação natalina enalteceu a riqueza dos detalhes da arquitetura de um dos prédios mais antigos da cidade. Com a idade de 118 anos, as camadas de tintas ocre e branca são exemplos de que cada época gravou ali um pouco da história de Barretos. E em algumas delas os seus segredos.

            Como historiadora e apaixonada por aquele lugar, encontrei um segredo adormecido nos confins do prédio. Não se trata de um segredo que não se pode contar, mas algo que o tempo esqueceu e por isso adormeceu. Já lhes adianto, porém, que o segredo que ali dorme esquecido jamais nos será verdadeiramente revelado, pois, para isso acontecer, o prédio teria que ser demolido. E isso jamais acontecerá. (Sim, jamais). 

            Voltemos a 1906, era 7 de setembro, quando foi lançada a pedra fundamental do Paço Municipal (prédio do museu). Estavam presentes o prefeito Antônio Olympio, o padre Francisco Valente, autoridades, a banda musical e muitos populares. Na ocasião, foi lavrada a ata de inauguração daquele ato, assinada pelas autoridades e colocada numa caixa de zinco. Essa caixa, então, foi enterrada no mesmo local onde se colocaria a porta central do prédio, e sobre ela o prédio foi construído e inaugurado no ano seguinte. É possível que mais objetos e documentos tenham sido colocados nela, revelando-a como uma verdadeira cápsula do tempo enterrada para no futuro ser aberta. (Uma pena que nunca será, a não ser que a ciência ou a engenharia desenvolva um modo de retirá-la sem destruir o edifício). Desde 1906, a caixa de zinco secreta adormece sob o prédio. (Talvez ela lhe sirva como um amuleto de proteção, assim quero acreditar).

            Essa e outras histórias serão contadas no sarau “Uma noite iluminada: Coral de Natal nas janelas do Museu” que estamos preparando para o dia 14 de dezembro, às 20h. Motivo pelo qual essa historiadora, a juíza dra. Fernanda Vazquez e o maestro Franco Piérre conseguiram a iluminação de Natal para o museu com o clube Os Independentes. 

O futuro está aqui não para abrir a caixa, mas para contar sobre ela. 

É aí que mora a magia.

Karla Armani Medeiros, historiadora e cadeira 7 da ABC / @profkarlaarmani