O perigo da “depressão sorridente”
O Diário - 19 de setembro de 2026
Maria Tereza Garcia Bergantini Estudante do quarto período do curso de medicina da FACISB, orientada pelo prof. Robson Aparecido dos Santos Boni.
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No cotidiano, muitas pessoas parecem seguir uma rotina perfeita: batem metas, estudam, participam de eventos sociais e respondem mensagens com bom humor. Por trás dessa produtividade, porém, pode existir uma exaustão mental profunda. Ainda há quem acredite que a depressão se manifesta apenas por isolamento, choro e falta de energia, mas isso é um mito. Continuar produzindo não é sinônimo de saúde mental, e negligenciar quem aparenta estar bem é um risco real.
Esse quadro é conhecido como “depressão sorridente”, uma forma atípica de depressão de alta funcionalidade em que os sintomas da doença são mascarados. Enquanto a imagem cultural retrata o depressivo como alguém incapaz de sair da cama, o indivíduo funcional mantém obrigações e interações sociais intactas.
Dados do GOV indicam que cerca de 15,5% dos brasileiros terão depressão ao longo da vida, isto é, milhões de pessoas lidando com a doença de forma silenciosa, sem demonstrar os sinais esperados. O sorriso e a atividade constante funcionam como uma barreira protetora, frequentemente sustentada pelo medo do julgamento e pelo receio de parecer fraco.
Para manter essa aparência durante crises profundas, o organismo entra em modo de sobrevivência: em vez de faltar energia como na depressão clássica, o corpo entra em estado de alerta constante, liberando hormônios do estresse como adrenalina e cortisol. Isso permite focar, conversar e sorrir mesmo estando emocionalmente fragilizado. Esse esforço contínuo do cérebro para sustentar a performance, no entanto, gera esgotamento físico e mental a longo prazo.
Combater a depressão sorridente exige, antes de tudo, compreender que a dor nem sempre se parece com tristeza. Escuta ativa e acolhimento genuíno são essenciais para que as pessoas se sintam seguras para tirar a máscara e admitir seu sofrimento sem medo de julgamento.