O poder da escrita
O Diário - 10 de janeiro de 2026
Ana Paula Ferreira, pedagoga, ativista social, mulher preta e contadora de histórias.
Compartilhar
A escrita pode ser interpretada como símbolo de lutas, curas ou marcas, fatos ou não. Quando uma pessoa que escreve, mistura conhecimentos, sentimentos, emoções e informações. Às vezes as linhas se transformam em lamento, outras em riso, se escreve com aconchego, com encanto, que faz o pensamento voar. E que ao alçar o voo, encontra o sorriso aquecendo o peito, e a gratidão de um coração leve, que encontra a paz. Às vezes, só o nó da garganta mesmo, desatando em palavras. O saber acadêmico, nem sempre informa como as palavras abraçam. O conhecimento acolhe, o amor envolve e a experiência promove a sabedoria. Mas, nem sempre usamos os mesmos óculos, e insistimos em enxergar com o vidro trincado, ao invés de trocar por outro novo. O nosso corpo, a nossa voz, pode ser o megafone, quando se conhece a própria história, percebe a lógica do poder. Do poder de dialogar. O diálogo empodera. Ensina a liderar nossa mente, refletir e dar espaço ao saber. Aqui façamos um contrato com a oralidade, deixe de acelerar a fala, e pulsar ansiedade. Ouça, com calma e aquilombe com os seus, mesmo, que um ou outro aparentemente não pareça, com você, mas o espaço da conversa sempre será seu, porque a cicatriz e o saber, vem do seu ser. Alguns passam pelo saber sintético, só reproduzido, que não os modifica, só repassou. Mas o saber orgânico, vivido, produz vida, nos define pelo ser, traz valor, ao invés de consequência. Porque muitas vezes, não sabemos nos expressar, as palavras ficam presas, mas, na escrita, podemos gritar no silêncio, e reverberar o eco em outra pessoa, e de vários modos, através da poesia, da música, da Arte, da rima, conseguimos que nossa mensagem, alcance lugares que não se pode imaginar.
Ana Paula Ferreira, pedagoga, ativista social, mulher preta e contadora de histórias.




