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O Poder é um Vento – às vezes um sopro

O Diário - 7 de março de 2026

O Poder é um Vento – às vezes um sopro

Aparecido Cipriano

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O poder é curioso. Ele chega sem bater à porta e, quando percebemos, já está sugerindo caminhos, mudando o tom da nossa voz. Alguns o tratam como se fosse herança de família; como troféu eterno. Mas o poder é vento, hoje em uma direção e amanhã já mudou de rumo.

O problema nunca foi o poder em si. O problema é o apego. Há quem se agarre a ele como quem se segura à última tábua de um naufrágio. Confunde cargo com valor. E ele não nos pertence, é emprestado. Vem com prazo de validade e cláusula silenciosa de devolução.

Na vida, algumas vezes vamos ganhar. A vitória traz aplausos, reconhecimento, sensação de missão cumprida. Mas também vamos perder — e mais vezes do que ganhar. E é aí que se revela quem somos. Ganhar exige gratidão. Perder exige grandeza.

A expressão “às vezes é preciso perder para ganhar” carrega uma sabedoria que poucos compreendem. Há derrotas que nos libertam. Há despedidas que nos curam. Perder pode ser apenas o preço de algo maior e mais significativo que ainda não conseguimos enxergar.

O poder, quando não é bem administrado, pode adoecer as pessoas, especialmente aquelas que acreditam que sua identidade depende do cargo que ocupam. No entanto, o poder não define quem alguém é; o verdadeiro valor de uma pessoa está em como ela age quando o possui e, principalmente, quando o perde. Tanto a vitória quanto a derrota devem ser encaradas com equilíbrio, pois nenhuma delas é permanente. O caráter verdadeiro aparece na forma digna e consciente com que se lida com ambos os momentos.

Há quem enfrente isso com serenidade. Há quem se revolte, entristeça-se profundamente ou até sucumba. No fim das contas, o poder passa. O cargo vai. O aplauso cessa. O que fica é o ser humano que você foi enquanto tudo isso durou. E isso, sim, ninguém pode tirar.