O PRIMEIRO ANO DO RESTO DA VIDA
O Diário - 10 de fevereiro de 2026
Danilo Nunes é advogado e professor. Pós-doutor em Direito e membro da Academia Barretense de Cultura – ABC
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Vencendo ou perdendo, Lula encerrará 2026 com o último político da geração que ajudou a construir a Constituição de 1988. Vencendo ou perdendo, com ou sem Lula, o país viverá aquilo que viveu com as Diretas Já, uma virada intergeracional na classe política. Qualquer futuro será a partir de Lula, não mais com Lula, após ser o único brasileiro a ter disputado todas as eleições desde 89, exceto somente 2010 e 2014, inclusive encarcerado na Policia Federal em 2018.
O fato é que a partir de 2027 a geração dos anos 80 em diante assumirá, de fato, as rédeas da política nacional e a janela pode ser de oportunidades ou e catástrofes.
Junto com Lula também se vai Michel Temer, FHC, Alckmin, Aécio, Serra, Maluf, Collor, além dos que já se foram. Mas, ventos civilizatórios trazem Eduardo Leite, por exemplo, que colocou o jeito analógico de fazer política no bolso nas respostas em recente evento no Rio Grande do Sul. Por mais posturas como àquela em que o governador descontruiu sem agredir, refutou sem atacar e rebateu sem ofender. A política no Brasil precisa voltar para o ponto de equilíbrio.
O líder Budista lecionou em “O Caminho do Meio” a evitar os extremos da indulgência sensual e do ascetismo radial, recomendado ao ser humano que se mantivesse no campo do equilíbrio e no Nobre Caminho do Óctuplo para libertar-se do sofrimento. O equilíbrio representa a harmonia interior, a moderação e a observação da realidade sem dualidades, buscando a paz por meio do conhecimento.
A sabedoria na reação às vaias fez de Eduardo Leite um político melhor e da militância desenfreada, uma gente um pouco pior, sabe-se lá se por desespero ou pela dor. E, independente do resultado de Outubro, em 2027, pode ser uma janela para a compreensão às diferenças, o pensamento certo, a fala correta, a boa ação, o meio de vida adequado, o esforço assertivo, a consciência reta e a concentração necessária para a virtude do primeiro ano do resto da vida política brasileira.




