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O silêncio de Deus e a maturidade da fé

Diocese de Barretos - 17 de junho de 2026

O silêncio de Deus e a maturidade da fé

O silêncio de Deus e a maturidade da fé

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Por Pe. Matheus Francisco, Vigário Paroquial São João Batista, Olímpia-SP

Iniciamos hoje um itinerário espiritual que, ao longo dos próximos dias, nos ajudará a percorrer caminhos concretos para crescer em Deus. O tema que guiará nossa reflexão será: “A vida espiritual: caminhos concretos para crescer em Deus”, seguindo um caminho profundamente pedagógico e espiritual, o silêncio, a oração, a cura, a santidade e a perseverança. Hoje, começamos pelo silêncio. Talvez uma das experiências mais difíceis da vida espiritual seja quando Deus parece calado. Quantas vezes rezamos e não sentimos resposta? Quantas vezes buscamos consolo e encontramos apenas silêncio? Quantas vezes esperamos uma intervenção clara de Deus, mas tudo parece permanecer igual? É nesse ponto que muitos enfraquecem na fé. Vivemos em uma cultura imediatista, acostumada a respostas rápidas, soluções instantâneas e gratificações imediatas. Mas Deus não se submete ao nosso tempo. O tempo de Deus é sempre pedagógico. E muitas vezes Ele se cala, não porque nos abandonou, mas porque quer nos conduzir a uma fé mais madura. O silêncio de Deus não é ausência. É presença oculta. Na Sagrada Escritura vemos isso claramente. Jó atravessou longos períodos sem compreender o agir de Deus. Os Salmos estão cheios de clamores como: “Até quando, Senhor?” O próprio Cristo, na cruz, experimenta o “aparente silêncio do Pai”. O silêncio faz parte do caminho. Mas por quê? Porque o silêncio purifica a fé. Quando tudo vai bem, é fácil acreditar. Quando sentimos consolo, é fácil rezar. Mas quando não sentimos nada, a fé deixa de ser emoção e se torna decisão. É nesse momento que a fé amadurece. Os grandes santos viveram isso. Santa Teresinha do Menino Jesus experimentou profundas noites interiores. Santa Teresa de Calcutá viveu décadas sem consolações sensíveis, permanecendo fiel. Eles nos ensinam que a santidade não nasce da ausência de luta, mas da fidelidade em meio a ela. Muitas vezes queremos um Deus que fale sempre. Mas Deus também educa no silêncio, pois, nele aprendemos a confiar sem controlar; a esperar sem exigir; a amar sem interesses; a permanecer sem recompensas. E talvez seja exatamente aí que Deus esteja realizando sua obra mais profunda. Se hoje você vive um tempo de silêncio espiritual, não desista. O silêncio de Deus pode ser o lugar onde Ele mais está moldando sua alma. (Continua na sexta-feira).