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O Telefunken T 7001

O Diário - 29 de setembro de 2026

O Telefunken T 7001

KARLA ARMANI MEDEIROS Historiadora e membro da cadeira 7 da ABC | @profkarlaarmani

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Era setembro de 1940. A Segunda Grande Guerra alcançava uma fase tensa. A Grã-Bretanha, especialmente, resistia sozinha contra os ataques alemães pelos céus. A Luftwaffe, Força Aérea da Alemanha, atacava alvos militares e cidades britânicas. As Blitz, bombardeios noturnos em Londres, afetavam diretamente os civis, embora a aviação britânica resistisse bravamente, evitando a invasão alemã. Do velho continente, esse passo a passo da guerra era conhecido pelos barretenses por meio das ondas do rádio. Com os dedos nos botões giratórios e os ouvidos quase colados nos enormes aparelhos, as notícias da guerra eram ansiosamente aguardadas. Para tanto, por melhor que fosse o rádio, antes, ele precisava funcionar. E é neste ponto que os barretenses padeciam.

Naquele mês, o jornal A Semana resolveu dar voz a esse problema relatando a ineficiência do funcionamento dos aparelhos em Barretos. De início, foi destacado que em alguns pontos da cidade os rádios funcionavam, mas em outros eram apenas “caixas de barulho”. O motivo seria a irregularidade da corrente de força e luz que, oscilando, fazia os aparelhos queimarem. Outra razão seria a incapacidade dos gabinetes técnicos para os consertos: faltavam peças importadas e mão de obra especializada. Diante disso, alguns donos de lojas logo se prontificaram em responder que a culpa não era deles. 

O caso se afunilou para um aparelho específico: o Telefunken T 7001, propriedade do médico dr. Álvaro Amâncio da Silveira. Por se tratar de um rádio de altíssimo luxo, premiado na Exposição Internacional de Paris de 1937, virou notícia e exemplo do problema da assistência. O aparelho, apresentando defeito, passou pelas mãos de vários gabinetes, inclusive da capital, mas logo retornou ao seu dono, sem conserto, tornando-se apenas um “móvel imprestável”. A imprensa chegou à conclusão de que o problema era a interferência de motores e os defeitos na linha de alta tensão; eram necessários filtros. Esperava-se, então, a ação da Prefeitura e da empresa de energia. (Novidade?).

Enquanto isso, o belo Telefunken tornou-se um móvel para “inglês ver”, sem nem mesmo trazer as aguardadas notícias da Inglaterra.