O tempo só anda de ida
O Diário - 21 de janeiro de 2026
Marcelo Murta
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Semana de nuvens formando esculturas no céu. Poeira na garganta rouca de sabor de sopa de letrinhas de Manoel de Barros. Engasgado de notícias dos bichos da floresta. Genial narrativa do nosso poeta sertanejo que melhor traduziu a fauna e flora do Pantanal. Guimarães Rosa da poesia. Todo ano ganho agenda da Phabrica de Ideias. Agência que comunica fatos, fotos e vídeos da Festas do Peão de Barretos. Deste ano tem versos do mais famoso mato-grossense nascido em Cuiabá. Na capa em destaque: “O Tempo só anda de ida”. É verdade, faltam menos de oito meses para o Rodeio do Barretão. Manoel desamarrou do poste a preguiça pantaneira e virou cidadão do mundo para colher conteúdo para suas obras. Conheci os livros do poeta e comi todos os versos. Estou mastigando até hoje. Na minha infância nos finais de semana tinha volta de trem da Paulista de Araraquara, a Morada do Sol, para a Capital do Rodeio. Lembranças espalhadas no quintal do Casarão. Tinha um quartinho de invencionices onde meu vô José guardava a solidão. A viagem nos trilhos era sempre uma grande aventura. Da janela do vagão eu atirava nos índios apaches que tentavam nos assaltar. Balas invisíveis atingiam os peles vermelhas. Como nos filmes de faroeste do Cine Barretos. Cinema Paradiso Caipira. Chegada triunfal na Estação Ferroviária. Amanhã pescar lambari no buracão atrás do Recinto. O Grand Canyon do bairro Exposição. Arruaça de pardais me tira da cama. Perfume de café torrado invade o quarto. No rádio músicas sertanejas raiz e anúncio da Festa do Peão de 1969. Ano que o Homem pisou na Lua. Em 2026 Gustavo Lima aterrissa na Arena dos Sonhos. De volta para o Futuro. Abraços Cavalares.



