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O ventre da cultura e da vida

O Diário - 13 de março de 2026

O ventre da cultura e da vida

José Geraldo Resende – Ator, ativista cultural e bacharel em Direito

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Março nos chama à reflexão sobre o papel das mulheres na construção da sociedade brasileira. O 8 de março não é apenas uma data: é um marco de resistência. Nasceu da luta operária e da reivindicação por dignidade.

No Brasil, essa memória ganha contornos profundos. Nossa cultura foi erguida por mulheres que recusaram a invisibilidade. Ao desafiar o silêncio, criaram os fundamentos de uma nação plural. Mas vivemos tempos de ameaça às conquistas históricas. O obscurantismo e o autoritarismo avançam. Discursos que flertam com o nazifascismo corroem a democracia. O ódio misógino se expressa em violências cotidianas. É uma guerra contra o ventre da cultura e da vida.

A história mostra mulheres como protagonistas da resistência. Leopoldina contribuiu para a educação primária. Mulheres negras sustentaram a estrutura escolar. Chiquinha Gonzaga, Tarsila, Carolina Maria de Jesus. Gal Costa, Rita Lee, Fernanda Montenegro, Elza Soares. Não foram apenas artistas: foram revolucionárias. Criar é resistir, ocupar é insurgir.

A cultura é sempre ato político. Hoje forças obscurantistas tentam apagar conquistas. Reduzem mulheres à invisibilidade e naturalizam a violência. O ataque às mulheres é ataque à memória e ao futuro. O futuro será feminino ou não será futuro.

Defender as mulheres é defender a vida e o Brasil.