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Oftalmologia regenerativa: o futuro da visão já começou 

O Diário - 26 de abril de 2026

Oftalmologia regenerativa: o futuro da visão já começou 

SAÚDE: Os oftalmologistas dra. Daniela Monteiro de Barros (CRM 109.939) e dr. Fernando Heimbeck (CRM104.673), especialistas em oftalmologia pelo Wills Eye Hospital, no Estados Unidos, são orientadores da Liga Acadêmica de Oftalmologia da Facisb (laof)

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Especialistas orientam sobre área inovadora e destacam principais benefícios

Os oftalmologistas Dra. Daniela Monteiro de Barros (CRM 109.939) e Dr. Fernando Heimbeck (CRM 104.673) esclarecem sobre uma área inovadora da medicina: a oftalmologia regenerativa que tem entre seus objetivos, em alguns, devolver ao paciente a função visual de forma mais natural. Na entrevista a seguir, os especialistas explicam sobre esta novidade e como ela pode ajudar os pacientes. Confira. 

O DIÁRIO: O que é a oftalmologia regenerativa?

DRA. DANIELA: A oftalmologia regenerativa é uma área inovadora da medicina que busca restaurar estruturas oculares danificadas, indo além da simples correção visual. Em vez de apenas tratar os sintomas com óculos ou cirurgias tradicionais, o objetivo é recuperar tecidos e, em alguns casos, devolver a função visual de forma mais natural.

O DIÁRIO: Quais são as principais tecnologias envolvidas?

DR. FERNANDO: As principais ferramentas incluem células-tronco, terapia celular, fatores de crescimento, engenharia de tecidos e células mesenquimais. As células-tronco têm a capacidade de se transformar em diferentes tipos de células do olho, sendo fundamentais para processos de regeneração. Já as células mesenquimais, derivadas da medula óssea ou do tecido adiposo, vêm demonstrando importante papel na modulação da inflamação, na liberação de fatores tróficos e no suporte à regeneração dos tecidos oculares.

O DIÁRIO: Essas técnicas já são utilizadas na prática clínica?

DRA. DANIELA: Em alguns casos, sim. Na superfície ocular, pacientes com lesões graves da córnea — muitas vezes causadas por queimaduras químicas ou doenças — já podem se beneficiar de transplantes de células-tronco, frequentemente obtidas do próprio paciente. Isso permite reconstruir a superfície ocular e melhorar significativamente a visão. No entanto, muitas terapias ainda estão em fase experimental.

O DIÁRIO: E quanto às doenças da retina? Já existem avanços?

DR. FERNANDO: Sim, há grande avanço nessa área. Doenças como degeneração macular relacionada à idade e retinopatia diabética estão sendo estudadas sob a ótica da regeneração celular. A proposta é substituir células danificadas ou estimular o próprio organismo a se regenerar. Embora ainda não sejam tratamentos amplamente disponíveis, os resultados iniciais são bastante promissores.

O DIÁRIO: A oftalmologia regenerativa também pode ajudar no glaucoma?

DRA. DANIELA: Esse é um dos campos mais desafiadores e, ao mesmo tempo, mais promissores. O glaucoma envolve a perda progressiva das células ganglionares da retina e do nervo óptico — estruturas que, tradicionalmente, não se regeneram. Pesquisas atuais buscam não apenas proteger essas células (neuroproteção), mas também regenerá-las ou restabelecer suas conexões. Estratégias com células-tronco, terapia gênica, fatores neurotróficos e células mesenquimais estão em investigação, com o objetivo de, no futuro, não apenas controlar a doença, mas recuperar parte da função visual perdida.

O DIÁRIO: O que dizem os estudos científicos mais recentes?

DR. FERNANDO: Pesquisas publicadas em revistas de alto impacto demonstram que células-tronco pluripotentes podem ser utilizadas para criar estruturas semelhantes à retina em laboratório, chamadas organoides. Esses modelos vêm sendo utilizados tanto para estudar doenças como o glaucoma quanto para testar novas terapias regenerativas, representando um avanço importante rumo à medicina personalizada.

O DIÁRIO: Existem outras abordagens além das células-tronco?

DRA. DANIELA: Sim. O uso de plasma rico em plaquetas e fatores de crescimento também tem ganhado espaço. Esses métodos utilizam componentes do próprio sangue do paciente para estimular a cicatrização e regeneração dos tecidos oculares, sendo aplicados em algumas condições clínicas com bons resultados.

O DIÁRIO: Quais são os principais desafios dessa área?

DR. FERNANDO: Apesar dos avanços, ainda existem desafios importantes, como o alto custo, a necessidade de mais estudos de longo prazo e a padronização dos tratamentos. No caso do glaucoma, especificamente, o grande desafio é conseguir regenerar conexões nervosas complexas, o que ainda está em fase experimental.

O DIÁRIO: O que podemos esperar para o futuro?

DRA. DANIELA: O futuro é extremamente promissor. A oftalmologia regenerativa representa uma mudança de paradigma: sair de um modelo baseado apenas na correção ou no controle da doença para um modelo focado na regeneração. Isso pode significar, no futuro, a possibilidade real de restaurar a visão em doenças como glaucoma, degenerações retinianas e lesões corneanas que hoje ainda são consideradas irreversíveis.