Olhar a sagrada família e sermos família hoje
Diocese de Barretos - 3 de janeiro de 2026
Por Pe. Daniel Canevarollo, Vigário Paróquia São Benedito, Barretos.
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Domingo passado, ainda antes de finda 2025, celebrávamos a festa da Sagrada Família: Jesus, Maria e José. A Sagrada Família de Nazaré não é um ideal distante nem um quadro perfeito pendurado na parede da fé; ela é uma casa simples, enraizada na vida real, atravessada por desafios, silêncios, perguntas e decisões difíceis. Por isso mesmo, ela se torna tão próxima e tão necessária para as famílias de hoje. Olhar para Nazaré é aprender que Deus escolheu habitar o cotidiano, fazendo do lar um lugar santo, onde o amor se aprende passo a passo. Em Nazaré, o amor não se manifesta em grandes discursos, mas na fidelidade diária. É o amor que acorda cedo, que trabalha com as mãos, que prepara a mesa, que acolhe o cansaço e recomeça. Maria e José nos ensinam que amar é cuidar, proteger e permanecer, mesmo quando o caminho não está totalmente claro. Quantas famílias hoje precisam redescobrir esse amor que não desiste, que não foge diante das dificuldades, mas transforma a casa em espaço de misericórdia e perdão. A Sagrada Família também é escola de diálogo. Em um mundo marcado por ruídos, opiniões rígidas e palavras que ferem, Nazaré nos recorda que o verdadeiro diálogo nasce da escuta. José escuta Deus nos sonhos; Maria escuta a vida com o coração aberto; Jesus cresce aprendendo a ouvir e a falar no tempo certo. O diálogo familiar não é apenas troca de ideias, mas partilha de vida, onde cada um é respeitado em sua história e em seus limites. É ali, na escuta mútua, que os conflitos encontram caminhos de reconciliação. Mas Nazaré é, igualmente, casa de silêncio. Um silêncio que não é vazio, mas cheio de presença. O silêncio que guarda o mistério, que acolhe a dor sem respostas imediatas, que permite discernir a vontade de Deus. Quantas vezes as famílias são chamadas a atravessar momentos de silêncio: doenças, perdas, incertezas. A Sagrada Família nos ensina que, no silêncio habitado por Deus, a esperança não morre; ela amadurece. Por fim, a Sagrada Família é lugar de confiança nos planos de Deus. Nada em Nazaré acontece por acaso, embora muitas coisas pareçam incompreensíveis. Maria e José confiam, mesmo sem entender tudo. Essa confiança sustenta a caminhada e transforma o medo em entrega. Para as famílias de hoje, confiar em Deus é crer que Ele continua agindo, mesmo quando os sonhos parecem ameaçados. Que neste início de ano, ao planejar e sonhar com tantas coisas, sonhemos e planejemos para que as nossas casas, à luz da Sagrada Família de Nazaré, se tornem lugares onde Deus possa morar: lares de amor perseverante, de diálogo sincero, de silêncio fecundo e de confiança profunda nos seus desígnios. Ali, no simples e no cotidiano, o Senhor continua a nascer.




