Orelhões entram em fase final em Barretos e região
Sandra Moreno - 22 de janeiro de 2026
COMUNICAÇÃO: Aparelho instalado na praça de capela
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Os Telefones de Uso Público (TUPs), conhecidos como orelhões, caminham para a desativação definitiva no país até o final de 2028. Em Barretos, ainda há 66 aparelhos instalados. Na região, são 2 em Guairá, 24 em Colina, 43 em Olímpia, 2 em Colômbia e 57 em Bebedouro, totalizando 194 telefones públicos, a maioria sob concessão da Telefônica.
Criados como contrapartida obrigatória dos contratos de telefonia fixa firmados em 1998, os orelhões chegaram a formar uma rede com mais de 1,5 milhão de terminais no Brasil. Com o fim das concessões em dezembro de 2025 e a adaptação para o regime de autorizações, a extinção gradual dos aparelhos passou a integrar o novo modelo de universalização da telefonia, voltado à ampliação do acesso à banda larga, conforme a Anatel.
Apesar de estarem em desuso, os orelhões ainda representam muito para moradores de bairros tradicionais. No São Salvador, em Barretos, o TUP instalado na praça Joel Waldo, em frente à Capela de Santos Reis, marcou a rotina da comunidade. A aposentada Sônia Maria Miranda Borges lembra que atendia ligações destinadas a vizinhos. “A gente escutava tocar e ia correndo. Era parente chamando, notícia boa e também notícia triste”, relata.
Marlene Aparecida Thomas, que mora em frente à praça há mais de 50 anos, afirma que o aparelho foi essencial quando poucas famílias tinham telefone. “Era um patrimônio. Quando tocava, a gente chamava o vizinho para atender. Vai deixar saudade”, diz. Mesmo próximos do fim, os orelhões seguem como símbolo de uma época em que a comunicação aproximava ainda mais os moradores.
Apesar do avanço da telefonia móvel e do processo de desativação, nem todos os orelhões serão retirados. De acordo com a Anatel, cerca de 9 mil Telefones de Uso Público permanecerão ativos em cidades e localidades onde não exista cobertura mínima de sinal 4G para a rede móvel. Nesses locais, os aparelhos continuarão garantindo o acesso básico à comunicação, mantendo vivo, ao menos em parte, um serviço que marcou a história de gerações.




