Os derrotados de domingo
O Diário - 15 de outubro de 2026
DANILO PIMENTA SERRANO É ADVOGADO E PROFESSOR UNIVERSITÁRIO
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O resultado do primeiro turno das eleições, realizado no último domingo, trouxe um sabor amargo de derrota para muitos atores do cenário político nacional. Das diversas derrotas, talvez a mais evidente seja a do presidente Lula, que ficou em segundo lugar no pleito presidencial, com uma diferença de 1,5% em relação a Flávio Bolsonaro. É certo, entretanto, que essa ínfima diferença pode se alterar no segundo turno, mas é igualmente certo que uma “virada” nunca aconteceu na história das eleições presidenciais brasileiras.
O outro grande derrotado foi o STF, mais precisamente o ministro Alexandre de Moraes, que viu o Partido Liberal de Bolsonaro eleger o expressivo número de 19 senadores, que se somam aos 9 eleitos em 2022, formando assim a maior bancada partidária desde a redemocratização, em uma inegável demonstração de força do bolsonarismo. O recado do eleitor à Corte Suprema foi enfático, ao deixar claro que não aceita mais o autoritarismo do Tribunal, que ano após ano, em incontáveis casos, vinha interpretando a Constituição Federal ao sabor de conveniências pessoais e políticas de alguns de seus membros.
A terceira grande derrota foi da esquerda em geral, que além de ter visto nomes tradicionais como José Dirceu, Randolfe Rodrigues e Gleisi Hoffmann sendo preteridos pelos eleitores, assistiu a Fernando Haddad perder no primeiro turno para Tarcísio de Freitas em São Paulo, enquanto partidos tradicionais da esquerda e centro-esquerda sofreram reduções significativas em suas respectivas bancadas no Legislativo.
Por fim, outro grande derrotado no último domingo foi o Brasil, ou, ao menos, o eleitor brasileiro, que no segundo turno das eleições, no dia 25 de outubro, se verá obrigado a escolher entre o ruim e o péssimo. Um país com o potencial do Brasil, com infindáveis recursos naturais, uma população jovem e trabalhadora, que tem tudo para se tornar uma grande potência, terá que escolher entre dois candidatos que tendem a perpetuar a mediocridade nos próximos quatro anos e a aprofundar a odiosa polarização que divide a nação.