Os desafios do enfrentamento à violência de gênero em Barretos
O Diário - 6 de março de 2026
Ana Paula Ferreira, Coordenadora da Casa da Mulher Paulista de Barretos
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A violência contra a mulher situa-se em uma encruzilhada entre os dados e a aplicabilidade de políticas públicas, exigindo um olhar holístico. Em Barretos, o cenário de 2025 exemplifica essa complexidade por meio de uma divergência pública sobre indicadores locais. Enquanto a rede de proteção, realiza esforços contínuos de contenção, episódios graves, como a tentativa de feminicídio em maio e dezembro de 2025, evidenciam a persistência do desafio. No primeiro semestre, a cidade apresentou altos índices de registros domésticos, inserindo-se em um contexto estadual ambivalente: conforme os dados consolidados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) referentes ao primeiro quadrimestre de 2025, a redução média de 12% nos crimes letais contra mulheres no interior paulista contrastou com o aumento de 8% nos boletins de ocorrência de violência doméstica em comparação ao mesmo período de 2024. Portanto, a divergência estatística em Barretos convive entre a gravidade dos fatos e o fortalecimento de políticas públicas eficazes. O desafio atual está em converter esse volume de registros em combate efetivo ao feminicídio; somente através da articulação entre dados e humanização institucional será possível transpor essa encruzilhada. Diante da expectativa de Audiência Pública (11/03), propõe-se a criação de um “Observatório de Feminicídios” e de dispositivos de acolhimento às famílias pelo sistema de justiça. É urgente aperfeiçoar a política judiciária de atenção às vítimas, envolvendo o poder público, a iniciativa privada e a comunidade. Afinal, o feminicídio — consumado ou tentado — desestrutura famílias, gera traumas e adoecimento mental, tornando sua prevenção e proteção, um dever inalienável do Estado com educação e cultura.



