Os riscos invisíveis das doenças pulmonares ocupacionais
O Diário - 7 de julho de 2026
Eduarda Borges Alves, estudante do 5º período do curso de medicina da FACISB, orientada pela profª Ludmila Pereira Barbosa dos Santos Carvalho
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A saúde do trabalhador precisa ocupar lugar central no debate público, especialmente quando falamos de doenças pulmonares relacionadas ao ambiente ocupacional. A poluição do ar no local de trabalho é uma preocupação crescente de saúde pública, muitas vezes negligenciada. A exposição contínua a poeiras, fumos, gases e vapores não é apenas um desconforto, está diretamente associada ao aumento de doenças respiratórias em diferentes setores da economia. Dentre as patologias mais impactantes, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) se destaca como uma enfermidade evitável causada por partículas inaladas, como a fumaça do tabaco e carvão. A DPOC limita progressivamente o fluxo aéreo e inflama as vias aéreas e seus impactos vão muito além da clínica: pacientes relatam dificuldades em tarefas simples, como vestir-se, cuidar da higiene pessoal ou caminhar. No contexto laboral, especialmente em funções que exigem esforço físico, a doença é incapacitante, gerando um ciclo de absenteísmo e sofrimento. A asma ocupacional também acende um alerta, atingindo majoritariamente jovens trabalhadores expostos a substâncias químicas industriais que comprometem precocemente sua trajetória profissional e a qualidade de vida. No Brasil, práticas como a queima de cana-de-açúcar agravam esse cenário ao contribuir para a emissão de material particulado, aumentando a incidência de sintomas respiratórios e internações de trabalhadores e pessoas vulneráveis como crianças e idosos. Soma-se a isso a Pneumonite por Hipersensibilidade, uma doença que pode levar à fibrose dos pulmões, que ameaça desde os trabalhadores rurais expostos a feno mofado, grãos e outros materiais orgânicos, até profissionais que atuam em escritórios fechados e mal ventilados. Outra condição relevante é a histoplasmose, associada à inalação de esporos presentes em solos contaminados por fezes de aves ou morcegos, afetando agricultores, criadores de aves e trabalhadores de controle de pragas. O impacto dessas doenças é vasto: há perda de função pulmonar, redução drástica da qualidade de vida e altos custos ao sistema de saúde. Trata-se de um problema humano, social e econômico. Diante desse cenário, a prevenção deve ser prioridade. A implementação adequada de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), melhorias nos sistemas de ventilação e o monitoramento da qualidade do ar são medidas fundamentais. Investir na saúde do trabalhador é investir no desenvolvimento sustentável e na dignidade humana.