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Os ultraprocessados estão “confundindo” os sinais do seu corpo?

O Diário - 10 de setembro de 2026

Os ultraprocessados estão “confundindo” os sinais do seu corpo?

Sabrina Becari Couto Estudante do 6. Período do curso de Medicina, orientada pela profª Larissa Vedovato Vilela de Salis

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Os alimentos ultraprocessados atualmente estão presentes no dia a dia de grande parte da população brasileira. Refrigerantes, salgadinhos, barrinhas, bolachas recheadas, bem como diversos tipos de fast-food oferecem praticidade e sabor estimulante, mas, a custo dessa praticidade, seus efeitos transcendem um simples ganho de peso. Estudos mostram que esses produtos desregulam o controle hormonal e prejudicam o metabolismo. Os hormônios são responsáveis por regular funções importantes para o nosso corpo, tais como fome, saciedade, energia e metabolismo. No entanto, os alimentos ultraprocessados – formulações industriais feitas quase inteiramente de substâncias extraídas de alimentos (gorduras, açúcar, amido, proteínas) com pouco ou nenhum alimento in natura em sua composição, além da presença de corantes, aromatizantes e outros aditivos químicos — podem interferir nesse equilíbrio hormonal e metabólico. 

O consumo regular desses produtos predispõe a alterações na insulina, hormônio responsável pelo controle da glicose no sangue, aumentando o risco do desenvolvimento de resistência à insulina e diabetes tipo 2. Somado a isso, também pode haver interferência nos hormônios da fome e da saciedade, como leptina e grelina, dificultando a percepção da fome e da sensação de estar satisfeito. Outra questão a ser mencionada envolve os aditivos alimentares. Pesquisas sugerem que essas substâncias, como emulsificantes, corantes e conservantes, podem alterar a microbiota intestinal, conjunto de microrganismos que participa da regulação do metabolismo e da resposta inflamatória do organismo. Esses produtos também são desenvolvidos para serem extremamente saborosos, estimulando o sistema de recompensa do cérebro e favorecendo o consumo excessivo. Isso pode confundir mecanismos naturais de saciedade e aumentar a vontade de continuar comendo, pelo puro prazer, sem que exista fome fisiológica. Dessa forma, os ultraprocessados não afetam apenas o peso corporal, mas também diversos mecanismos hormonais importantes para o equilíbrio e funcionamento do corpo. Em um contexto em que esses alimentos fazem parte cada vez maior da rotina, compreender seus impactos é essencial para promover saúde e qualidade de vida a longo prazo. Pequenas mudanças na alimentação, como reduzir ingestão de ultraprocessados e priorizar alimentos naturais, podem trazer benefícios importantes para a saúde.