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Percorrer o caminho da samaritana

Diocese de Barretos - 8 de março de 2026

Percorrer o caminho da samaritana

Percorrer o caminho da samaritana

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Por Dom Milton Kenan Júnior, Bispo de Barretos

Se consideramos com atenção o relato que o evangelista João faz do encontro de Jesus com uma mulher samaritana (Jo 4, 5-42) ficamos desconcertados. Considerando a rivalidade entre judeus e samaritanos ficamos de início espantados com a atitude de Jesus judeu que dirige a palavra a uma mulher samaritana: “Dê-me de beber” (v. 7). A atitude de Jesus para quem lia o evangelho e conhecia os costumes judaicos surpreende já pelo fato de um homem judeu pedir de beber à uma mulher samaritana. Daí a estranheza daquela mulher: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana? (v. 9). A atitude de Jesus com aquela mulher é repleta de ternura, respeito, atenção, escuta. “Se conhecesses o dom de Deus” é a expressão que Jesus se serve para despertar a atenção da mulher. Acompanhando o relato, Jesus nos faz compreender que ele na verdade é que tem uma água capaz de saciar plenamente a sede daquela mulher. Daí a resposta da mulher – cheia de ironia, como é próprio de João utilizar – que pergunta a Jesus: “Por acaso serias tu maior do que nosso pai Jacó, que nos deu este poço, e do qual ele mesmo bebeu junto com seus filhos e seus rebanhos? (v. 12). Aí então encontramos a resposta de Jesus que está no centro desse relato: “Qualquer um que beba desta agua vai ter sede novamente. Mas quem beber da água que eu vou dar, nunca mais terá sede. E a água que eu lhe darei vai se tornar uma fonte de água que jorra para a vida eterna” (v.14). A água a quem se referia Jesus era ele próprio. Encontrar-se com ele e acolhê-lo é como descobrir uma fonte, uma água cristalina capaz de saciar toda sede que temos em nossos corações. Mas, para que isso ocorra é preciso crer. Somente a fé feita de confiança é que nos permite beber da água que é Jesus. É justamente este outro aspecto que João coloca em destaque: aquela mulher vai através do diálogo com Jesus sendo conduzida à fé: em princípio Jesus era para ela um estranho (v.9), depois chama-o de “senhor” (v. 11), um profeta (v 19), Messias (v. 25), e, finalmente quando corre a sua cidade declara que ele é o “Cristo” (v.29). A samaritana torna-se assim modelo para nós que somos chamados a encontrar a Cristo e compreender a sua missão, e ao mesmo tempo a importância dele em nossas vidas; para, a partir de aí sermos suas testemunhas, levando até ele os que ainda não o conhecem, para provar da sua água e verem saciados e satisfeitos plenamente com ela. Neste ano da fé da Diocese de Barretos, somos chamados a percorrer o caminho que a samaritana percorreu para tratar a Jesus como alguém que está vivo e caminho conosco e, não apenas um personagem do passado!