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Perigo à vista 1: A aposentadoria dos servidores

O Diário - 12 de fevereiro de 2026

Perigo à vista 1: A aposentadoria dos servidores

Aparecido Cipriano – Especialista em Gestão Pública Municipal (UFSJ)

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Por sete anos, Barretos funciona sem concurso público. As repartições abrem, os serviços continuam e a rotina, mal ou bem, segue seu curso. À primeira vista, nada parece fora do lugar. Mas alguns problemas não fazem barulho — apenas crescem em silêncio.

A ausência de concursos significa menos servidores efetivos e mais contratos temporários. Esses trabalhadores cumprem seu papel, mas contribuem para o INSS, não para o Instituto de Previdência Municipal. O resultado é simples e preocupante com menos recursos entrando no regime próprio e mais compromissos saindo.

Realizar concurso público não é apenas cumprir a Constituição. É um ato de responsabilidade com o futuro da cidade. É garantir que Barretos continue honrando seus compromissos com quem trabalhou a vida inteira pelo serviço público — sem transferir essa conta para as próximas gerações.

Enquanto isso, o tempo passa. Servidores se aposentam, pensões permanecem e a base de contribuintes não se renova. Cria-se um desequilíbrio cada mês maior e que precisa ser coberto pelo Tesouro Municipal, prejudicando não só o funcionalismo, bem como, a cidade toda, é dinheiro que poderia estar na saúde, na educação ou em obras para a cidade.

A previdência não quebra de um dia para o outro. Ela se fragiliza aos poucos, até que a conta aparece, geralmente alta e urgente. Concurso público, nesse contexto, não é apenas obrigação legal. É planejamento, responsabilidade e cuidado com o futuro.

Porque quando o futuro não entra na folha de pagamento, ele acaba entrando na conta — e quem paga é toda a cidade, toda a população barretense.