Pleonasmo Vicioso
O Diário - 6 de setembro de 2026
Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Série Vícios de Linguagem
Na linguagem do dia a dia, não é raro encontrar expressões em que uma mesma informação aparece repetida sem que isso seja necessário. Expressões como “subir para cima” ou “principal protagonista” provocam a sensação de que algo foi dito duas vezes sem necessidade, embora a repetição de palavras ou ideias também possa produzir efeitos expressivos. É justamente nessa diferença de finalidade que se compreende o pleonasmo vicioso, marcado pela repetição não necessária à compreensão. Já a repetição intencional é sempre empregada para reforçar uma mensagem.
O pleonasmo vicioso compromete a precisão da linguagem ao repetir uma informação que já está contida no próprio sentido da expressão. Em “monólogo falando sozinho” e “orvalho noturno da noite”, por exemplo, as palavras acrescentadas não trazem informação nova, pois os próprios termos já contêm esses significados. Ou seja, quando a repetição nada acrescenta ao que se pretende comunicar, ela deixa de cumprir uma função e passa a tornar a expressão acessoriamente redundante.
A repetição, contudo, pode assumir função expressiva se empregada de maneira intencional para reforçar uma mensagem. As expressões “Vi com meus próprios olhos” e “Chorou lágrimas sinceras” exemplificam o pleonasmo que visa à ênfase, pois logo se percebem as intenções: na primeira frase, a recusa à dúvida; na segunda, destaca-se a legitimidade da dor. Assim, a fronteira técnica reside no propósito: se a repetição apenas duplica uma informação sem criar impacto, é vício de linguagem; se a palavra retorna ao discurso para fazer a mensagem ecoar mais viva, é figura de estilo.
Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie