Predicativo? Sim, ele importa!
O Diário - 29 de agosto de 2025

Prof. Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, na área dos estudos discursivos e textuais – literatura, artes e mídias digitais
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Como evitar ambiguidades
Basta alterar a ordem de algumas palavras para que uma frase aparentemente simples ganhe novo significado. Esse fenômeno é comum em conversas cotidianas, publicações em redes sociais e até em documentos formais, e evidencia como a sintaxe influencia a clareza das mensagens. Entre os recursos que mais interferem na interpretação, o predicativo do objeto é um dos mais relevantes. Isso porque é por meio dele que se garante a atribuição de qualidades e características. Caso ele seja mal-empregado na estrutura da frase, pode gerar ambiguidades. De fato, o cuidado com a sintaxe de uma frase não é um mero detalhe, mas um princípio para se evitar equívocos na leitura.
A função do predicativo como elemento essencial para a interpretação merece atenção especial. Ele atribui uma característica a um termo, conectando-o ao verbo e, assim, ampliando o sentido do enunciado. Quando se lê “Meu filho achou o brinquedo divertido”, a oração pode ser entendida de dois modos: que o filho considerou o brinquedo divertido ou que ele encontrou o brinquedo divertido. No entanto, em “Meu filho achou divertido o brinquedo”, a ambiguidade de desfaz. Essa diferença aparentemente sutil revela como a posição e a função do predicativo podem alterar a mensagem, exigindo sensibilidade linguística para evitar interpretações errôneas.
Com efeito, a posição do predicativo do objeto pode dar ao verbo um sentido duplo, ambíguo. Essa relação se dá porque a posição do predicativo na frase altera o valor semântico do verbo. Aliás, a depender da estrutura da frase, “achar” pode significar tanto “encontrar” quanto “considerar” como já visto. Sem dúvida, o sentido pode oscilar, comprometendo a objetividade de textos acadêmicos, jurídicos, jornalísticos, entre outros. Portanto, compreender essa distinção é como ajustar o foco de uma lente: quanto mais nítida a visão da função sintática, mais clara será a mensagem transmitida, preservando a força e a precisão da língua portuguesa.
Prof. Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, na área dos estudos discursivos e textuais – literatura, artes e mídias digitais