Qual terreno é o meu coração?
Diocese de Barretos - 13 de fevereiro de 2026
Qual terreno é o meu coração?
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Pe. Pedro Lopes, Vigário São Miguel Arcanjo, Miguelópolis - SP
Jesus, ao ensinar o povo, recorre com frequência às imagens da natureza. No Evangelho de Marcos, Ele fala do Reino de Deus como uma semente lançada à terra. O agricultor semeia, dorme, acorda, e a semente cresce sem que ele saiba como. Também compara o Reino a um pequeno grão de mostarda, que começa quase invisível, mas se torna uma grande árvore. Essas imagens simples revelam uma verdade profunda sobre a ação de Deus e sobre o coração humano. A semente é a Palavra de Deus. Ela é sempre boa, sempre fecunda, sempre carregada de vida. O que varia não é a força da semente, mas o terreno onde ela cai. Por isso, a pergunta se torna inevitável: qual terreno é o meu coração? Um coração endurecido pela indiferença? Um coração raso, que se empolga rapidamente, mas não cria raízes? Ou um coração aberto, paciente e disposto a esperar o tempo de Deus? Vivemos numa sociedade imediatista, onde tudo precisa ser rápido e visível. Porém, Jesus nos ensina que o Reino cresce no silêncio, no escondimento, na fidelidade cotidiana. Nem sempre percebemos os frutos imediatamente. Às vezes rezamos, fazemos o bem, buscamos viver o Evangelho e parece que nada muda. No entanto, Deus está agindo. A semente está germinando, mesmo quando nossos olhos não veem. O grão de mostarda também nos recorda que pequenas atitudes podem gerar grandes transformações. Um gesto de perdão, uma palavra de consolo, uma decisão de mudança interior pode parecer insignificante, mas, nas mãos de Deus, tornam-se abrigo e esperança para muitos. O importante é não desistir de semear.



