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Quando a ausência nos ensina sobre a vida

O Diário - 8 de fevereiro de 2026

Quando a ausência nos ensina sobre a vida

Aparecido Cipriano

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A morte de alguém muito próximo nos atravessa de um modo profundo e silencioso. Não é apenas a despedida de uma amiga, mas o rompimento de um vínculo construído ao longo do tempo, feito de confiança, convivência e afeto. Perder a Teresa — nossa querida Tetê — é sentir que um pedaço importante da caminhada ficou para trás.

Foram 17 anos de convivência diária, de trabalho lado a lado, de decisões compartilhadas, de conselhos sinceros e de apoio nos momentos difíceis. Tetê não foi apenas uma assessora. Foi presença constante, olhar atento, palavra firme quando necessária e gesto generoso em todos os momentos. Alguém que escolheu viver para fazer o bem, sempre pensando no outro antes de pensar em si.

Diante de uma perda assim, somos levados a refletir sobre a vida, sobre o tempo e sobre o quanto cada ser humano é único e insubstituível. Cada pessoa que passa por nossa história deixa marcas. Há quem chegue por um breve período, e há quem caminhe conosco por décadas, ajudando a moldar quem nos tornamos. Como já foi dito, “aqueles que passam por nós não vão sós: deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”.

Quando a morte chega, ela não leva apenas um corpo. Leva risadas compartilhadas, projetos sonhados, histórias vividas e futuros imaginados. Fica um vazio difícil de explicar, uma ausência que dói justamente porque foi preenchida de sentido, de parceria e de humanidade.

Mas quem viveu para fazer o bem não parte por completo. Tetê permanece viva na memória, nos valores que deixou, no exemplo de generosidade, compromisso e cuidado com o próximo. A saudade, embora dolorida, é também prova de uma vida que valeu a pena ser vivida. Aprendemos que algumas pessoas, como a Teresa, jamais vão embora por inteiro — seguem vivendo em nós, todos os dias.

Aparecido Cipriano