“Quando o sangue falta, a vida fica em suspenso”
Sandra Moreno - 23 de novembro de 2025
SOLIDARIEDADE: Ato voluntário pode salvar até quatro vidas e doações são feitas no Hemonúcleo do HA
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Hemonúcleo reforça importância do ato solidário e lança semana especial para agradecer voluntários

DOADORES: Edson Tomoda, Felipe Santos e Paulo Cândido comentaram sobre o ato solidário em encontro no Hemonúcleo do Hospital de Amor
Mesmo sendo um ato simples, seguro e capaz de salvar até quatro vidas por doação, menos de 2% dos brasileiros doam sangue regularmente — número abaixo do ideal recomendado pela Organização Pan-Americana de Saúde. É por isso que o Dia Nacional do Doador de Sangue, celebrado em 25 de novembro, torna-se cada vez mais necessário como forma de agradecer quem já doa e incentivar novos voluntários. No Hemonúcleo do Hospital de Amor, a mobilização é diária, especialmente em períodos de maior demanda por cirurgias, tratamentos oncológicos e emergências.
A hematologista Dra. Giuliana Martinelli Dótoli reforça que o desafio é constante. Segundo ela, os estoques muitas vezes chegam a níveis críticos. “Estamos sempre precisando. Já tivemos de desmarcar cirurgias eletivas por falta de sangue. É essencial que os doadores venham, porque sempre há pacientes esperando”, explica.

DESAFIO: Giuliana é hematologista do Hemonúcleo e confirma a dificuldade quando estoques caem
A médica também destaca a importância de combater mitos que afastam potenciais doadores: “O organismo repõe rapidamente o sangue doado. Não existe risco de faltar sangue para o doador. Todos os tipos sanguíneos são importantes — e agora estamos, inclusive, com baixa no tipo O negativo.” Para celebrar o Dia Nacional do Doador de Sangue, de 25 de novembro, o Hemonúcleo do Hospital de Amor preparou uma programação especial entre 24 e 30 de novembro, com decoração temática, cafés especiais e ações de motivação para acolher e agradecer os doadores. Em encontro no Banco de Sangue: três histórias, o mesmo propósito. Acompanhe:
Edson: 61 doações e uma vida inteira dedicada ao próximo
Com 46 anos e mais de 20 anos de doações, o advogado Edson Luis Tômoda já contabiliza 61 doações entre sangue, hemácias e plaquetas. Para ele, doar é mais que hábito — é compromisso com a vida. “Não tem nada mais cristão do que pensar no próximo. A doação representa isso: você doa tempo, disposição e aquilo que só você pode oferecer”, descreve. Acostumado a atender chamados urgentes do hemocentro, Edson não hesita quando precisa ajudar: “Se eles me ligam é porque alguém precisa. Quando não posso vir, fico preocupado pensando no que isso pode causar a quem está esperando.” O convite dele é direto: “Quem tem receio, venha fazer a primeira doação. O ambiente é tranquilo, seguro. Muita gente acha que é um bicho de sete cabeças, mas não é. Sempre tem alguém precisando de você.”
Felipe: da curiosidade ao compromisso de doar vida a cada dois meses
O corretor Felipe Aparecido Santos, de 32 anos, se tornou doador há cerca de dois anos. A primeira visita foi apenas por curiosidade — mas bastou uma experiência para transformar sua rotina. “Vim só para ver como era. Depois disso, a cada dois meses eu estou aqui. A gente não sabe para quem vai o sangue, mas só de saber que ajuda alguém já é gratificante.”
Ele também destaca uma vantagem prática que muitos desconhecem: “A cada doação a gente faz exame de sangue completo sem pagar nada. É saúde para quem doa e vida para quem recebe.”
Hoje doador de sangue, plaquetas, medula e órgãos, Felipe resume seu comprometimento: “Se depender de mim, estarei sempre aqui. A agulha é o de menos. O importante é saber que você está salvando alguém.”
Paulo: do medo à certeza de que doar é multiplicar vida
A história do pedreiro Paulo de Oliveira Silva Cândido, de 43 anos, é marcada pela superação. Mesmo vindo de uma família de doadores, um equívoco sobre seu histórico de saúde quase o afastou da doação. “Me disseram que, por ter passado por pelo problema de saúde, eu não podia doar. Fiquei triste. Era como se eu tivesse perdido algo que queria fazer”, lembra.
Tudo mudou quando acompanhou a esposa no Hemonúcleo e decidiu perguntar novamente. “Expliquei tudo ao médico. Ele olhou, conversou comigo e disse: ‘Você pode doar sangue’. Naquele dia agradeci a Deus. Disse que, enquanto tivesse vida, eu faria isso.”
Paulo não esconde a emoção quando fala do significado do ato: “Comecei doando plaquetas, mas hoje entendi que estou doando vida. Quanto mais vida eu dou, mais vida Deus me dá.”
E deixa um recado para quem ainda tem medo: “Venha doar. Você não sabe o dia de amanhã. Pode ser alguém da sua família. Quando você doa, você gera paz e esperança em quem está sofrendo.”



