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Quando o silêncio também fala de Deus

Diocese de Barretos - 28 de agosto de 2026

Quando o silêncio também fala de Deus

Quando o silêncio também fala de Deus

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Por Padre Pedro Lopes – Vigário da Paróquia São Miguel Arcanjo – Miguelópolis

Vivemos cercados por palavras. Mensagens chegam a todo instante, vídeos disputam nossa atenção, opiniões são emitidas antes mesmo de termos tempo para refletir. Nunca foi tão fácil falar. Paradoxalmente, talvez nunca tenha sido tão difícil escutar. O Evangelho nos apresenta um Jesus que sabe falar, mas que também sabe silenciar. Antes das grandes decisões, retira-se para rezar. Diante de muitas acusações, responde apenas o necessário. No encontro com aqueles que sofrem, muitas vezes seu primeiro gesto não é um discurso, mas um olhar, uma presença, um toque. O silêncio cristão não é ausência, nem vazio. É um espaço onde Deus pode encontrar o coração humano. Quantas vezes buscamos respostas para tudo, quando, na verdade, o Senhor deseja apenas que permaneçamos com Ele. A oração não é apenas o momento em que falamos com Deus; é também o momento em que permitimos que Ele fale conosco. Vivemos uma cultura da pressa. Queremos resultados imediatos, soluções instantâneas e respostas prontas. Entretanto, Deus costuma agir no tempo da semente. Quem planta hoje sabe que precisará esperar. Assim também acontece na vida espiritual. Há orações que parecem não ser respondidas, cruzes que demoram a ser compreendidas e caminhos que só fazem sentido olhando para trás. Talvez precisemos redescobrir o valor de alguns minutos de silêncio durante o dia. Desligar o celular, afastar as preocupações, abrir a Bíblia e simplesmente permanecer na presença de Deus. Não para pedir algo, mas para estar com Aquele que nunca deixa de estar conosco. Também nas relações humanas o silêncio possui seu valor. Há momentos em que uma palavra precipitada destrói o que anos de convivência construíram. Em contrapartida, um silêncio respeitoso pode evitar conflitos desnecessários e abrir espaço para o diálogo verdadeiro. Nossa sociedade necessita de pessoas que saibam ouvir. Ouvir os filhos, os idosos, os doentes, aqueles que pensam diferente. Quem escuta com o coração aprende a enxergar além das aparências e descobre que toda pessoa carrega alegrias, lutas e esperanças. Que possamos aprender com Cristo essa pedagogia do silêncio. Não um silêncio de indiferença, mas um silêncio cheio de amor, de escuta e de confiança. Porque é justamente quando o mundo faz mais barulho que a voz de Deus continua falando, serenamente, ao coração de quem se dispõe a escutá-Lo.