Quaresma: um caminho batismal rumo à vida nova
Diocese de Barretos - 25 de fevereiro de 2026
Quaresma: um caminho batismal rumo à vida nova
Compartilhar
Por Pe. Matheus Francisco, Vigário Paroquial São João Batista, Olímpia
A cada ano, a Igreja nos oferece a Quaresma como tempo de graça, conversão e retorno ao essencial. Mais do que um período marcado por práticas externas, trata-se de um verdadeiro itinerário espiritual que nos conduz ao coração do mistério pascal. Neste Ano A de 2026, iluminados pelo Evangelista Mateus, somos convidados a viver cada domingo como etapas de um grande retiro espiritual, redescobrindo a riqueza da nossa vocação batismal e a alegria de sermos filhos de Deus. No 1º Domingo, vemos Jesus conduzido pelo Espírito ao deserto. Também nós somos chamados a entrar nesse deserto interior, lugar de silêncio, combate e escuta. Ali confrontamos nossas tentações, purificamos intenções e renovamos as promessas do Batismo. O deserto nos recorda quem somos e a quem pertencemos. No 2º Domingo, a Transfiguração revela o horizonte da nossa caminhada. Se o deserto nos prova, o monte nos fortalece. Em Cristo transfigurado, contemplamos aquilo que somos chamados a ser: homens e mulheres transformados pela graça. A Quaresma nos convida a permitir que Deus transfigure nossas atitudes, despertando novas práticas de amor, reconciliação e serviço. O 3º Domingo, com a Samaritana, nos conduz à fonte. A água viva prometida por Jesus é a graça batismal que jorra para a vida eterna. Em meio às nossas sedes e inquietações, somos lembrados de que a verdadeira vida nasce do encontro pessoal com Cristo. Beber dessa água é renovar nossa identidade de filhos no Filho. No 4º Domingo, à luz do cego que recupera a visão, compreendemos que o Batismo é iluminação. Fomos chamados das trevas à luz da fé. A Quaresma é tempo de pedir um novo olhar, de deixar que Cristo cure nossas cegueiras espirituais e nos ensine a enxergar com os olhos da fé. No 5º Domingo, com a ressurreição de Lázaro, somos convidados a recordar que, no Batismo, já passamos da morte para a vida. A eternidade começou em nós. Cada passo de conversão é uma antecipação da Páscoa definitiva que esperamos. Para viver bem esse caminho, a Igreja nos propõe meios concretos: esmola, oração e jejum. A esmola deve ser vivida com silêncio, sem buscar reconhecimento, deixando que apenas Deus veja o bem realizado. A oração precisa ser cultivada na intimidade, no quarto fechado do coração, e de modo especial na busca sincera do sacramento da Confissão, onde experimentamos a misericórdia que restaura e fortalece. O jejum, por sua vez, não é tristeza, mas exercício de liberdade: jejuar com alegria é recordar que nossa verdadeira fome é de Deus. Esses passos simples e profundos nos fazem tocar, já aqui e agora, um pouco do céu. Neste Ano da Fé, tão significativo para nossa diocese, somos chamados a crescer na confiança, na coerência e na alegria de crer. A Quaresma é tempo favorável: tempo de amadurecer na fé e de viver com mais autenticidade nossa missão de filhos de Deus, preparando-nos para celebrar uma Páscoa verdadeiramente transformadora.



