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Reaprender a sonhar

O Diário - 9 de outubro de 2026

Reaprender a sonhar

José Renato Nalini É Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo

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Ano de eleições importantíssimas no Brasil. A encruzilhada geopolítica obriga o país a acordar de sua paralisia. Parlamento se preocupa mais com emendas, com Fundos Eleitoral e Partidário, do que regulamentar os assuntos de que o mundo trata com zelo inequívoco.

Demoramos demais para legislar sobre crédito de carbono. Elaborada a norma, a regulamentação patina. Diz-se que só ocorrerá em 2030. É tempo perdido demais. Também a questão da IA, que o mundo discute e delibera, aqui se empurra com a barriga. E outros temas importantes: a Reforma Administrativa, a sempre esperada e nunca realizada profunda reforma estrutural do sistema Justiça. Há tanto a ser feito e o Legislativo parece viver na pândega. Arrancar do Erário tudo o que puder e se desinteressar pelo amanhã. 

É urgente que a cidadania se mostre mais madura do que os políticos. Exija projetos, planos, detalhados e não meras promessas vagas, que não têm como ser controladas nem fiscalizadas.

Os movimentos sociais, o Terceiro Setor, a Academia, o Empresariado, a Igreja, todos devem participar da discussão para exigir compromisso, fidelidade a programas e objetividade dos candidatos todos. 

A mudança do panorama mundial é preocupante, mas abre oportunidades para potências de médio porte, como o Brasil. Ele precisaria aproveitar as chances e se impor, primeiro na América Latina, onde perdeu a liderança e depois junto com parceiros com os quais possa conversar em nível de reciprocidade, como Índia, China, Indonésia, Coreia. Valermo-nos da nossa condição, quase inteiramente perdida, de “promissora potência verde”, intensificar a descarbonização, zerar o desmatamento, enfrentar o excesso de poluição e de produção de nocivos resíduos sólidos, ressuscitar rios e córregos sacrificados em prol do asfalto e do trânsito. Há tanto a fazer! É só olhar em volta e começar! É preciso reaprender a sonhar, para que se vislumbre um cenário mais promissor a esta terra do futuro, que já viu este chegar, sem fazer a sua parte para colher frutos esperados e que ainda não vieram.